A leitura da Bíblia cresce significativamente entre norte-americanos que enfrentam divórcio, doenças graves, luto ou desemprego. A conclusão faz parte do quarto capítulo do relatório State of the Bible: USA 2026, publicado na semana passada pela Sociedade Bíblica Americana.
O estudo, elaborado em parceria com o instituto NORC da Universidade de Chicago, baseia-se em 2.649 entrevistas realizadas entre 8 e 27 de janeiro. Além de mapear o uso das Escrituras, o documento analisa a relação entre crises pessoais, sensação de propósito e fé.
Chamado profissional e envolvimento com as Escrituras
Questionados sobre a existência de uma vocação específica, 15% dos entrevistados disseram considerar a afirmação “totalmente verdadeira” e 23% “em grande parte verdadeira”. Outros 25% classificaram a declaração como “moderadamente verdadeira”, 18% “ligeiramente verdadeira” e 20% não acreditam possuir qualquer chamado.
Na escala de 10 pontos que mede compreensão do próprio propósito, o grupo Engajado com as Escrituras (pontuação igual ou superior a 100) atingiu média 7,4. O Intermediário (70 a 99 pontos) ficou em 6,0, enquanto o Desengajado (abaixo de 70) registrou 5,4.
Sobre ainda estarem “definindo” ou “buscando” sua vocação, 42% responderam “de jeito nenhum”. A maior pontuação média nesse quesito (5,1) veio do grupo Intermediário, à frente dos Engajados (4,7) e dos Desengajados (4,3).
Crises aumentam procura pela Bíblia
O relatório definiu “uso da Bíblia” como a interação individual com as Escrituras pelo menos de três a quatro vezes ao ano, fora de cultos ou encontros religiosos. Os percentuais de leitura cresceram quando os entrevistados passaram por situações disruptivas:
- Divórcio: 53% leem a Bíblia (vs. 38% entre quem não se divorciou).
- Desastre natural: 49% (vs. 38%).
- Doença ou lesão com risco de vida: 48% (vs. 37%).
- Morte de amigo próximo ou familiar: 45% (vs. 35%).
- Desemprego: 43% (vs. 37%).
Entre aqueles que lidaram com doença ou lesão grave, 38% afirmaram que a fé foi “grande fonte de conforto”; no grupo sem essa experiência, o índice caiu para 31%. Situação semelhante aparece no luto (38% vs. 29%) e no desemprego (38% vs. 31%).
Chamado como experiência espiritual
Quando avaliados sobre a frase “o chamado é uma experiência espiritual”, 30% rejeitaram totalmente a ideia. Outros 23% consideraram “moderadamente verdadeira”, 18% “levemente verdadeira”, 16% “em grande parte verdadeira” e 12% “totalmente verdadeira”.
O relatório prossegue avaliando a ligação entre fé, propósito de vida e resiliência diante de eventos traumáticos, apontando que o engajamento bíblico tende a crescer justamente quando essas dificuldades se tornam realidade.
Com informações de Folha Gospel