Home / Economia / Novo “Rei da Soja”: Eraí Maggi Scheffer soma 700 mil hectares e consolida império no Mato Grosso

Novo “Rei da Soja”: Eraí Maggi Scheffer soma 700 mil hectares e consolida império no Mato Grosso

ocrente 1783903769
Spread the love

O produtor Eraí Maggi Scheffer, de 66 anos, consolidou-se como o novo “Rei da Soja” ao comandar o Grupo Bom Futuro, conglomerado mato-grossense que cultiva 700 mil hectares e fatura mais de R$ 6 bilhões por ano, de acordo com estimativas de mercado.

Origem no Paraná e primeiros passos

Natural de São Miguel do Iguaçu (PR), Eraí cresceu em uma família que cultivava apenas 65 hectares na década de 1970. Após a morte do pai, em 1976, assumiu os negócios aos 18 anos e passou a arrendar terras vizinhas para ampliar a produção.

Migração para o Centro-Oeste

Em 1982, impulsionado por políticas de integração nacional, vendeu a propriedade paranaense e migrou para Rondonópolis (MT). Ali, arrendou 2,5 mil hectares da Fazenda Bom Futuro, pertencentes a três médicos paulistas, com o suporte financeiro do tio André Maggi. Em 1995, comprou definitivamente a área, fundando o Grupo Bom Futuro.

Expansão e diversificação

Nos anos 1990, a companhia avançou sobre o Cerrado, adquiriu terras em Campo Novo do Parecis e Campo Verde e, em 1998, inaugurou sua primeira Indústria de Beneficiamento de Algodão. Na safra 2009/2010, o grupo semeou 223 mil hectares de soja, ultrapassando o primo Blairo Maggi.

Estrutura atual

A Bom Futuro colhe anualmente cerca de 1,9 milhão de toneladas de grãos e 360 mil toneladas de pluma de algodão. O portfólio inclui 12 usinas hidrelétricas, três parques solares e o maior aeroporto privado do Centro-Oeste, em Cuiabá.

Financiamento em dólar e foco regional

Para reduzir o risco cambial, Eraí opta por crédito dolarizado, alinhado à cotação internacional das commodities. Ao contrário de outros grupos que avançaram para o Matopiba, mantém 100% das operações em Mato Grosso, aproveitando a possibilidade de duas safras anuais.

Aquisições recentes

Em 2025, a empresa desembolsou R$ 1,8 bilhão pelas fazendas Itaipu e Tupi Barão, adicionando 43 mil hectares ao portfólio. Em 2026, pagou R$ 871,25 milhões por 18,7 mil hectares da Radar, ligada à Cosan, reforçando a liquidez do grupo.

Com produção anual de aproximadamente 1,3 milhão de toneladas de soja e taxas de expansão que superam 20% ao ano, Eraí Maggi Scheffer consolidou o domínio sobre a etapa primária da cadeia e tornou grandes tradings dependentes de sua oferta.

Com informações de Gazeta do Povo