O Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou como “absurdas” as afirmações do Ministério das Relações Exteriores do Brasil que sugerem risco à soberania nacional caso Washington decida empregar força militar no país. A reação ocorreu nesta terça-feira (7), após o Itamaraty encaminhar à Câmara dos Deputados resposta ao Requerimento de Informação 1012/2026, no qual parlamentares questionavam as consequências da inclusão das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista norte-americana de organizações terroristas.
“Esse comentário é um absurdo. Os Estados Unidos estão adotando medidas decisivas, dentro de suas prerrogativas soberanas, para combater narcoterroristas”, declarou um porta-voz do Departamento de Estado, em pronunciamento enviado aos portais G1 e Metrópoles. Segundo o porta-voz, as facções brasileiras atuam em território norte-americano, e o governo de Donald Trump “defenderá seu povo dessas organizações criminosas estrangeiras”.
Resposta do governo brasileiro
No documento encaminhado ao Congresso, o chanceler Mauro Vieira afirmou que a classificação das facções teria impactos “relevantes” no plano econômico e na soberania do Brasil, além de não trazer benefícios concretos para a cooperação bilateral no combate ao crime organizado.
Pressão de Washington
Desde que PCC e CV passaram a figurar como grupos terroristas, em junho, autoridades norte-americanas ampliaram ações contra redes vinculadas às facções. No início de julho, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro sancionou dois brasileiros, três empresas nacionais e uma empresa portuguesa ligadas ao PCC. Em junho, o Departamento de Segurança Interna (DHS) prendeu na Carolina do Norte um ex-líder que teria comandado simultaneamente o PCC e o CV.
A troca de declarações intensifica o debate sobre os limites da cooperação entre Brasília e Washington no enfrentamento ao crime organizado que atua nos dois países.
Com informações de Gazeta do Povo