Brasília — A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgaram nesta quinta-feira (2) notas públicas de repúdio às tentativas de intimidação sofridas pela jornalista Malu Gaspar, colunista de O Globo e comentarista da GloboNews.
Investigações da Polícia Federal mostram que o empresário Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, contratou o publicitário Thiago Miranda para levantar dados pessoais da repórter e, segundo as mensagens obtidas pelos agentes, “frear” a publicação de reportagens sobre negócios da instituição financeira.
Monitoramento da vida privada
Nos diálogos extraídos do celular de Vorcaro, Miranda teria fornecido ao ex-banqueiro informações sobre familiares, contas bancárias e endereço residencial de Malu. A PF também apurou oferta de trabalho à jornalista como tentativa de cooptação.
Procurada, a defesa de Vorcaro informou à Gazeta do Povo que não se manifestará. Já os advogados de Miranda declararam não ter tido acesso às mensagens e criticaram o que classificam como “vazamento seletivo” da investigação.
Entidades falam em “métodos mafiosos”
Em sua nota, a ANJ qualificou a atuação da dupla como “métodos mafiosos” e cobrou apuração imediata sobre o acesso irregular a dados protegidos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A associação lembrou que a proteção de informações pessoais deve ser garantida a qualquer cidadão.
A Abraji destacou que a jornalista passou a sofrer ataques virtuais, muitos de cunho misógino, após revelar conversas entre o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. “Quando qualquer jornalista é intimidado por exercer seu ofício, perde a sociedade como um todo”, afirma o texto.
As duas entidades reiteraram solidariedade a Malu Gaspar e enfatizaram que permanecerão vigilantes para defender o livre exercício do jornalismo no país.
Com informações de Gazeta do Povo