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Demora do governo venezuelano após terremotos aumenta pressão sobre Delcy Rodríguez

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Caracas – A reação considerada lenta e burocrática da administração interina de Delcy Rodríguez aos fortes terremotos que atingiram a Venezuela na última semana intensificou as críticas internas e a cobrança internacional contra o regime chavista.

Resposta só veio 48 horas depois

Autoridades nacionais iniciaram ações de emergência duas noites após os primeiros tremores. Nesse intervalo, moradores de regiões como La Guaira atuaram por conta própria, retirando escombros sem equipamentos adequados. Organizações civis relatam dificuldades para obter permissões de entrada nas áreas afetadas, que foram rapidamente militarizadas.

Ajuda estrangeira sob tensão política

Estados Unidos e outros vinte países despacharam equipes de resgate e suprimentos ainda nas primeiras 24 horas. No Congresso americano, parlamentares republicanos acusaram o governo venezuelano de atrasar o desembarque de parte das doações. Apesar do envio de auxílio, a Casa Branca reiterou que futuras tratativas dependem de garantias para eleições livres, imprensa independente e reformulação do órgão eleitoral venezuelano.

Oposição barrada

A líder opositora María Corina Machado tentou antecipar o retorno ao país para prestar solidariedade, mas afirmou que o espaço aéreo foi fechado para impedir sua entrada. Fontes diplomáticas em Washington demonstraram contrariedade ao pedido de apoio logístico feito por Machado, classificando-o como inoportuno diante da urgência humanitária.

População se sente abandonada

Sem presença estatal nas primeiras horas, vizinhos e familiares foram os principais socorristas em várias cidades. Relatos de moradores apontam desconfiança em relação aos números oficiais de mortos e desabrigados, que, segundo eles, estariam sendo subestimados pelo governo para evitar desgaste político.

Possíveis novas repressões

Analistas ouvidos por organizações humanitárias alertam para o risco de o regime utilizar a crise para perseguir críticos. A estratégia consistiria em enquadrar vítimas e voluntários como “inimigos internos”, além de responsabilizar equipes estrangeiras por eventuais falhas na operação de socorro.

As denúncias de negligência ganharam força exatamente quando Delcy Rodríguez busca consolidar sua posição após a saída temporária de Nicolás Maduro. A demora na assistência, somada às barreiras impostas a agentes civis e opositores, amplia o desgaste do governo junto à população e potenciais aliados externos.

Com informações de Gazeta do Povo