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Governo britânico propõe cobrar até £10 mil de solicitantes de asilo que passem a trabalhar

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O Ministério do Interior do Reino Unido encaminhou nesta terça-feira (30) ao Parlamento o projeto de Lei de Imigração e Asilo que prevê a cobrança de uma contribuição financeira de solicitantes de asilo e refugiados que, após obterem emprego, tenham condições de ressarcir parte dos gastos públicos com moradia e assistência.

Pelo texto, adultos que receberam apoio estatal durante o processo migratório poderão ser obrigados a quitar até £10 mil (aproximadamente €11 mil ou R$ 68,5 mil). O valor seria pago em parcelas mensais, descontadas apenas quando a renda do imigrante ultrapassar um limite mínimo, ainda a ser definido.

A quitação da dívida será requisito para a concessão de residência permanente. Caso o beneficiário deixe o país sem pagar, o débito permanecerá e precisará ser acertado caso ele deseje retornar.

Mecanismos de cobrança

O governo trabalha com o pagamento direto ao Ministério do Interior, mas analisa alternativas que envolvem os sistemas tributário e de benefícios sociais, possibilitando descontos automáticos vinculados ao salário.

Justificativa oficial

Segundo a ministra do Interior, Shabana Mahmood, o sistema de asilo custou £4 bilhões (R$ 27,4 bilhões) em 2025, valor considerado insustentável para o contribuinte. “Receber apoio é um direito, mas também uma responsabilidade”, declarou Mahmood, acrescentando que já foram economizados £1 bilhão desde o ano passado.

Custos e auxílios atuais

Dados oficiais indicam que acomodar um solicitante de asilo em habitação comum custa, em média, £23,25 por noite (R$ 159), enquanto a estadia em hotéis chega a £144 (R$ 986) diários. Os subsídios semanais de manutenção variam de £9,95 a £49,18 (R$ 68 a R$ 337).

Reação de organizações

Entidades de apoio a refugiados criticaram a proposta. O Conselho de Refugiados qualificou a medida como “injusta e impraticável”, argumentando que funciona como um imposto adicional sobre pessoas que fugiram de perseguição, guerra ou tortura e que muitas vezes são impedidas de trabalhar durante a análise do pedido de asilo.

Outras mudanças previstas

O projeto inclui ainda a criação de uma autoridade para acelerar recursos em casos migratórios e regras mais rígidas para pedidos baseados em direitos humanos e escravidão moderna. A ministra do Interior poderá ajustar tanto o valor da cobrança quanto o piso de renda, com a promessa de não empurrar imigrantes para a miséria.

Dados do Ministério do Interior mostram que 24% dos refugiados entre 16 e 64 anos que conquistaram o status entre 2015 e 2023 estavam empregados no mesmo ano da aprovação. Após dois anos, o percentual sobe para cerca de 50%.

Com informações de Gazeta do Povo