O Japão perdeu mais de 3 milhões de habitantes entre 2020 e 2025, segundo dados do censo de 2025, aprofundando uma crise demográfica sem precedentes desde o início dos registros, há mais de um século. A retração de 2,5% na população total supera, pela primeira vez, a marca de 1 milhão de habitantes a menos em um único ciclo de cinco anos.
Pacote bilionário para famílias
Para conter o declínio, a primeira-ministra Sanae Takaichi lançou um programa de US$ 22,5 bilhões, que amplia auxílios mensais a famílias com filhos, reforça licenças-maternidade e paternidade e oferece incentivos fiscais para quem contrata babás. O plano também prevê a redução de custos com pré-natal, com o objetivo de remover barreiras financeiras enfrentadas por casais jovens.
Casamentos mais raros e tardios
Especialistas apontam que o problema vai além do tamanho das famílias já formadas: cada vez mais japoneses adiam ou desistem de casar. Pesquisas indicam falta de interesse de parte significativa dos jovens em constituir família, o que levou o país a alcançar o patamar de apenas 700 mil nascimentos anuais quase 20 anos antes do previsto.
Impacto na defesa do país
A redução da população em idade ativa dificulta o recrutamento para as Forças de Autodefesa, fator considerado pelo governo como o principal desafio à segurança nacional. Mesmo com planos de modernizar o arsenal militar, falta pessoal qualificado para operar equipamentos como mísseis e drones.
Imigração restrita
Embora reconheça a necessidade de trabalhadores estrangeiros em setores como construção civil e cuidados a idosos, o governo mantém resistência a abrir portas de forma permanente. A estratégia prioriza vistos temporários, sob o argumento de que a imigração em massa elevaria custos de serviços públicos e poderia afetar a coesão social. Nos últimos anos, as exigências para residência definitiva tornaram-se mais rígidas.
As medidas adotadas por Tóquio buscam reverter uma tendência que ameaça a vitalidade econômica e a capacidade de defesa do país, mas especialistas alertam que os resultados só deverão aparecer a longo prazo.
Com informações de Gazeta do Povo