O Papa Leão XIV demitiu do estado clerical o espanhol Francisco José Vegara Cerezo, da Diocese de Orihuela-Alicante, após um processo canônico que apontou cisma devido à recusa pública de reconhecer a autoridade dos pontífices.
A decisão foi assinada em 30 de abril de 2026 e comunicada ao religioso em 20 de junho, segundo nota divulgada pela diocese na última quinta-feira (25).
Manifesto e punições anteriores
O caso teve início em 2023, quando Vegara Cerezo publicou um documento de 20 páginas chamando o então Papa Francisco de “herege” e questionando a legitimidade de sua eleição. O texto atacava ainda a exortação apostólica Amoris Laetitia e a declaração Fiducia Supplicans, emitida pelo Dicastério para a Doutrina da Fé.
No ano seguinte, o bispo local, Dom José Ignacio Munilla, retirou o sacerdote de todos os cargos na diocese. Advertências formais foram emitidas em fevereiro de 2024 e abril de 2025. Em setembro de 2025, Munilla proibiu Vegara de conceder entrevistas ou declarações públicas, medida que o padre recorreu ao Dicastério para o Clero.
Após nova publicação do religioso, o Dicastério para a Doutrina da Fé exigiu retratação. Diante da ausência de resposta considerada satisfatória, a Santa Sé concluiu pelo cisma e recomendou a demissão do estado clerical, confirmada pelo pontífice.
Consequências da demissão
Apesar de permanecer ordenado, o padre perde todos os direitos ligados ao ministério, incluindo celebrar missas e administrar sacramentos. Ele também deixa de estar obrigado ao celibato. O Cânon 976 prevê exceção apenas em casos de perigo de morte, quando poderá ministrar os sacramentos para salvar uma vida.
Reação do bispo
Dom Munilla pediu orações pelo ex-sacerdote e recordou palavras de Leão XIV dirigidas a bispos, clérigos e seminaristas espanhóis em 11 de junho, nas Ilhas Canárias: “Quando encontrarem dificuldades, elevem o olhar e peçam ao Espírito Santo a graça de viver unidos na fé, esperança e caridade.”
Com informações de Gazeta do Povo