Home / Política / Gilmar Mendes chama de “corporativista” projeto que libera advogados da AGU para atuar no setor privado

Gilmar Mendes chama de “corporativista” projeto que libera advogados da AGU para atuar no setor privado

ocrente 1782220749
Spread the love

Brasília – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes usou suas redes sociais, em 23 de junho de 2026, para criticar a aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, ocorrida no dia 16, de um projeto de lei que autoriza membros da Advocacia-Geral da União (AGU) a exercerem advocacia privada.

O decano lembrou que ocupou o cargo de advogado-geral da União antes de ser indicado ao STF pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo Mendes, a proposta é movida por “interesses corporativos” que, em sua avaliação, subordinam “a função constitucional da AGU aos interesses privados de seus membros”.

O ministro manifestou apoio a uma proposta de emenda à Constituição que proíba de forma definitiva o exercício da advocacia particular por integrantes das carreiras jurídicas da União. “É especialmente grave quando envolve profissionais que já figuram entre os mais bem remunerados do serviço público”, escreveu.

O que diz o projeto

Apresentado pelo Poder Executivo em 2016, quando Michel Temer (MDB) ocupava interinamente a Presidência da República, o texto relatado na CCJ pelo deputado Felipe Francischini (Podemos-PR) seguirá agora para análise do Senado.

A redação aprovada libera o exercício da advocacia privada para:

  • Advogados da União;
  • Procuradores da Fazenda Nacional;
  • Procuradores Federais;
  • Procuradores do Banco Central;
  • Demais cargos privativos de bacharéis em Direito que não foram convertidos em assistente jurídico ou procurador federal.

A prática será fiscalizada pela Corregedoria-Geral da AGU, pela Comissão de Ética do órgão e pelo Estatuto da Advocacia. Entre as exigências estão a comunicação prévia à AGU, que manterá lista pública dos profissionais, e a proibição de atuação contra a União, autarquias ou estatais.

Em fase anterior, na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público, o então deputado e atual senador Efraim Filho (PL-PB) defendeu que os membros da AGU já poderiam advogar de forma privada e que o projeto apenas traria segurança jurídica, impondo limites claros.

Com a aprovação na CCJ, o texto aguarda deliberação do Senado Federal.

Com informações de Gazeta do Povo