A fatia dos Estados Unidos nas vendas externas do Brasil recuou para 9,3% entre agosto de 2025 e maio de 2026, o menor índice da série histórica iniciada em 1997 pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic). O resultado sucede o pacote de tarifas anunciado pelo governo Donald Trump em julho de 2025, que já havia reduzido a participação norte-americana de 12,4% observada entre agosto de 2024 e maio de 2025.
Novo pacote pode aprofundar perdas
A tendência de queda pode se acentuar com duas novas sobretaxas recomendadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), programadas para entrar em vigor no próximo mês. Uma delas prevê acréscimo de 12,5% para produtos de 60 países, inclusive o Brasil; a outra impõe tarifa adicional de 25% exclusivamente a mercadorias brasileiras.
Mesmo com exceção para 666 itens, estimativas baseadas no fluxo comercial de 2024 indicam que 45,8% dos embarques do Brasil aos EUA seriam afetados. O governo brasileiro projeta impacto menor, em torno de 21%.
Efeito chega a quase todo o país
Após o tarifaço de 2025, 24 das 27 unidades da federação registraram queda na participação norte-americana em suas pautas de exportação. Caso as novas barreiras sejam confirmadas, 14 estados e o Distrito Federal podem ter mais da metade de suas vendas ao mercado norte-americano atingidas. Entre os mais expostos estão Alagoas, Amapá, Amazonas, Ceará, Distrito Federal, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima e Santa Catarina.
Principais estados e produtos em risco
São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio Grande do Sul lideraram as remessas aos EUA em 2024. Embora apenas o Rio Grande do Sul figure no grupo mais vulnerável, todos podem sofrer perdas significativas com as novas tarifas.
Entre os itens que podem ficar mais caros para o importador norte-americano estão carregadoras e pás carregadoras fabricadas em São Paulo, madeira do Paraná e do Rio Grande do Sul, além de calçados, transformadores elétricos, pescados e lagostas embarcados por estados do Sul e do Nordeste.
Antecedente jurídico diferente
O novo conjunto de sobretaxas tem base legal distinta do tarifaço de 2025, que elevou alíquotas a até 50% e acabou derrubado pela Suprema Corte dos EUA. Mesmo assim, a perspectiva de novas barreiras mantém a pressão sobre a pauta exportadora brasileira destinada ao mercado norte-americano.
Com a continuidade das tensões comerciais, analistas e empresas observam os desdobramentos em Washington para avaliar o alcance definitivo das medidas sobre as vendas externas do Brasil.
Com informações de Gazeta do Povo