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Vitória na Colômbia e vantagem no Peru empurram América do Sul para maioria de governos de direita

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Brasília, 22 de junho de 2026. A eleição de Abelardo de la Espriella na Colômbia e a contagem favorável a Keiko Fujimori no Peru colocam a direita a um passo de se tornar maioria na América do Sul.

No domingo (21), Espriella venceu o segundo turno colombiano e, com 100% das urnas apuradas, foi declarado presidente eleito. No Peru, a apuração segue conturbada: com 99,691% das atas contabilizadas, Fujimori tem cerca de 40 mil votos de vantagem sobre o esquerdista Roberto Sánchez.

Mapa político se inverte em três anos

Quando Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o Planalto, em janeiro de 2023, o quadro regional somava oito governos de esquerda e quatro de direita. Caso a vantagem peruana se confirme, a balança passará a sete administrações de direita (Argentina, Paraguai, Equador, Bolívia, Chile, Colômbia e Peru) contra cinco de esquerda (Brasil, Venezuela, Guiana, Suriname e Uruguai).

Entre 2025 e 2026, a direita já conquistou o Equador, com a reeleição de Daniel Noboa, além de Bolívia e Chile, onde Rodrigo Paz e José Antonio Kast derrotaram legendas tradicionais da esquerda. O MAS boliviano, no poder desde 2006, nem chegou ao segundo turno.

Discurso de ordem e segurança atrai eleitor

Para Frederico Dias, professor de relações internacionais do Ibmec Brasília, o apelo de “ordem, previsibilidade e governabilidade mínima” tem pesado na escolha dos eleitores. Ele cita Noboa, cujo discurso liberal e de linha-dura respondeu à crise de violência no Equador.

No Peru, afirma o especialista, Fujimori e o nacionalista Rafael López Aliaga – terceiro colocado por uma diferença de 21 mil votos – exploraram temores ligados à insegurança, colapso institucional e instabilidade econômica em um país que teve oito presidentes desde 2016.

Adriana Melo, especialista em finanças e tributação, aponta que nomes como Noboa, Paz, Kast, Javier Milei (Argentina), Fujimori e Espriella atendem a um “humor político global” focado em segurança, custo de vida, emprego e capacidade de entrega do Estado.

Victor Missiato, historiador do Mackenzie Tamboré, lembra que a região vive pêndulos eleitorais nas últimas duas décadas. Segundo ele, inflação alta e déficit nas contas públicas impulsionam a procura por políticas voltadas à estabilidade monetária e ao controle fiscal, bandeiras habitualmente associadas à direita.

Próximos testes nas urnas

O último grande pleito sul-americano de 2026 acontece em outubro, no Brasil. O resultado poderá consolidar, ou frear, a onda conservadora que avança sobre o subcontinente.

Com informações de Gazeta do Povo