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Trump chama Lula de “muito volátil” após críticas feitas no G7

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Washington (19.jun.2026) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descreveu o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como “muito volátil” durante entrevista ao programa The Axios Show, exibida nesta sexta-feira (19) pelo portal norte-americano Axios.

Na conversa, Trump disse ter acompanhado recentes discursos de Lula e afirmou que o líder brasileiro “mudou ao longo do tempo”. “Eu o observei enquanto falava; foi muito volátil”, declarou. Questionado se era fã do petista, o republicano respondeu: “Eu poderia me importar menos”.

Troca de farpas após reunião do G7

A declaração ocorre poucos dias depois de Lula criticar o governo dos EUA durante a cúpula do G7, realizada na França. No encontro, o brasileiro afirmou que “não suporta” o comportamento de Washington, acusou Trump de agir como “imperador” e o classificou como mau exemplo para a democracia.

Embora não tenham se cumprimentado na foto oficial do G7, os dois presidentes trocaram um aperto de mão nos bastidores. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram Trump perguntando a Lula se estava bem e dizendo “bom trabalho” antes de seguir adiante.

Relação marcada por altos e baixos

Em maio, Lula e Trump se encontraram na Casa Branca. Na ocasião, o norte-americano elogiou o “dinâmico presidente do Brasil” e disse ter tido “uma reunião muito boa”. Desde então, porém, a relação voltou a se deteriorar.

O clima azedou depois que Washington classificou as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, decisão criticada por Brasília. A medida veio após Trump receber o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) na Casa Branca.

Paralelamente, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) abriu duas investigações que podem resultar em tarifas extras sobre produtos brasileiros: uma propõe sobretaxa de 25% por supostas práticas comerciais desleais; a outra sugere imposto adicional de 12,5% com base na Seção 301, alegando falhas do Brasil no combate ao trabalho forçado.

No discurso do G7, Lula rebateu indiretamente as pressões americanas ao defender que o combate ao crime organizado “respeite a soberania dos Estados” e criticar “o ressurgimento do protecionismo e do unilateralismo”.

As recentes trocas de críticas reforçam o tom de incerteza nas relações diplomáticas e comerciais entre Brasília e Washington.

Com informações de Gazeta do Povo