O caso Banco Master, que mobiliza a Polícia Federal desde 2025, transformou-se em assunto proibido na campanha de 2026 na Bahia. Grupos ligados ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) e ao senador Jaques Wagner (PT) teriam costurado um pacto de silêncio: nenhum lado mencionará o escândalo durante a corrida eleitoral.
Como nasceu o entendimento
Segundo interlocutores ouvidos pela reportagem, as conversas começaram em fevereiro e envolvem também aliados de ambos os partidos. Todos os demais temas estariam liberados para o embate, exceto o Master.
Motivos para evitar o tema
Os dois pré-candidatos aparecem em documentos ligados à investigação:
- ACM Neto foi citado em relatório do Coaf que aponta o recebimento de R$ 5 milhões do Banco Master e da gestora Reag por serviços de consultoria. Ele nega irregularidades, afirma que os contratos são legais e não foi alvo da operação mais recente da PF.
- Jaques Wagner é investigado na 9.ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho. A PF apura se o senador recebeu vantagens como um apartamento de luxo, repasses de cerca de R$ 3 milhões por empresa ligada a familiares e voos em aeronaves de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master.
Nova ofensiva da Polícia Federal
Na mesma quinta-feira (18/6), a PF cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. Endereços de Wagner e de parentes foram vasculhados. Os crimes investigados são corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Defesas
Wagner afirma que não atuou em favor do banco, que o dinheiro apreendido tem origem lícita (diárias de viagens) e que o apartamento foi adquirido provisoriamente por um empresário para ajudar sua filha. Ele diz ter encontrado Daniel Vorcaro apenas duas vezes.
ACM Neto, em vídeo publicado em março, colocou-se à disposição das autoridades, solicitou ao STF e à PGR apuração sobre suposto vazamento de dados “manipulados” e reiterou a legalidade de seus contratos.
Já o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro e alvo da mesma operação, sustenta que sempre agiu dentro da lei e que as diligências comprovarão a lisura de seus atos.
Ligação com a privatização da Ebal
O escândalo também respinga no ministro da Casa Civil, Rui Costa. Quando governava a Bahia, ele conduziu a venda da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) em 2018, arrematada por Augusto Lima, que levou o cartão consignado Credcesta — ativo hoje investigado.
Impacto eleitoral
No tabuleiro baiano, ACM Neto busca chegar ao governo estadual, enquanto Jaques Wagner tenta renovar o mandato no Senado e fortalecer a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT). O pacto de silêncio pretende evitar desgaste mútuo em meio ao avanço das investigações federais.
Com informações de Gazeta do Povo