A Rússia, um dos maiores exportadores mundiais de petróleo e derivados, prepara-se para receber ainda em junho um carregamento marítimo de gasolina, medida classificada como incomum e motivada pela crescente pressão sobre o abastecimento interno. A informação foi repassada à agência Reuters por quatro fontes do setor de energia.
Segundo uma das fontes ouvidas, o combustível partirá da Ásia com destino a um porto russo na região oeste do país. Nem o volume da carga nem a identidade dos fornecedores foram divulgados.
Ataques comprometem refinarias
Desde o início do ano, a infraestrutura energética russa tornou-se alvo recorrente de drones e mísseis ucranianos. Refinarias, oleodutos e centros de armazenamento sofreram danos, reduzindo a capacidade de processamento de combustíveis em território russo.
Os incidentes mais recentes atingiram a refinaria TANECO e a refinaria de Moscou, forçando a paralisação temporária das atividades em ambas as plantas, de acordo com interlocutores do setor.
Reflexos no consumo interno
A imprensa local já relatou falta pontual de gasolina em cerca de 12 regiões. Para conter o risco de desabastecimento durante o verão — período de maior demanda por viagens —, o governo proibiu a exportação de gasolina produzida no país até 31 de julho.
Além da importação emergencial por via marítima, Moscou vem recorrendo a compras de Belarus e, em menor escala, do Cazaquistão. Contudo, fontes do mercado apontam que esses parceiros não dispõem de excedente suficiente para cobrir uma eventual crise prolongada.
Resposta oficial
O Ministério da Energia reconheceu que os ataques ucranianos pressionam o mercado doméstico de combustíveis e montou recentemente um grupo de trabalho com grandes companhias do setor para garantir a estabilidade do fornecimento nacional.
Não foram informados prazos adicionais nem quantidades previstas para novas importações.
Com informações de Gazeta do Povo