Home / Internacional / Bukele anuncia “guerra” à corrupção após dois anos do segundo mandato

Bukele anuncia “guerra” à corrupção após dois anos do segundo mandato

ocrente 1781747355
Spread the love

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, completou dois anos de seu segundo mandato em junho e afirmou que sua próxima prioridade será o combate à corrupção, depois da ofensiva que reduziu drasticamente a atuação das maras no país.

“Próximo passo”

Durante a inauguração da nova sede da Procuradoria-Geral, em San Salvador, no fim de maio, Bukele enumerou os alvos da nova operação: roubos, contrabando, sonegação fiscal, fraudes e crimes ambientais. “Esse será o próximo passo”, declarou.

Medidas em andamento

O governo já enviou à Assembleia Legislativa, no ano passado, um projeto de Lei Anticorrupção classificado por Bukele como “passo decisivo” para enfrentar o problema. A proposta prevê:

  • declarações patrimoniais anuais de servidores e familiares;
  • penas mais duras para crimes de corrupção, incluindo tipificação do uso de laranjas no setor público;
  • criação de um Centro Nacional Anticorrupção voltado à inteligência e ao uso de tecnologia para detectar irregularidades.

Outra iniciativa foi a Lei Especial de Reestruturação Municipal, que entrou em vigor em 2024 e reduziu o número de municípios de 262 para 44, com o objetivo de simplificar a administração pública.

Segurança continua no centro

Bukele consolidou popularidade ao adotar política de tolerância zero contra as gangues. Em 2022, inaugurou o Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), mega-presídio com capacidade para 40 mil detentos. Desde março de 2022, o país vive sob regime de exceção, renovado periodicamente.

Repercussão internacional

As medidas renderam apoio de líderes como o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e inspiraram políticas de segurança de governantes da região, entre eles o argentino Javier Milei e o equatoriano Daniel Noboa.

Críticas e denúncias

Organizações de direitos humanos questionam a duração do estado de exceção e apontam falta de transparência. Em 2021, o governo expulsou a Comissão Internacional contra a Impunidade, criada em parceria com a OEA. A prisão preventiva do advogado constitucionalista Enrique Anaya, há mais de um ano sob acusação de lavagem de dinheiro, também é alvo de protestos.

Debate sobre o “método Bukele” no Brasil

No Brasil, figuras como os pré-candidatos presidenciais Romeu Zema (Novo-MG) e Renan Santos (Partido Missão) elogiam o modelo salvadorenho. Especialistas, porém, veem barreiras para replicá-lo.

Para Frederico Dias, professor de Relações Internacionais do Ibmec Brasília, o sucesso de Bukele depende de fatores difíceis de reproduzir: território do tamanho de Sergipe, população de cerca de 6 milhões e encarceramento de 80 mil pessoas (aproximadamente 2% dos adultos) sob suspensão de garantias constitucionais.

João Alfredo Lopes Nyegray, da PUCPR, destaca que as facções brasileiras têm estrutura mais complexa que as gangues salvadorenhas, com ramificações em portos, fronteiras e no exterior. Ele lembra ainda que a federação brasileira, com polícias estaduais e Judiciário autônomo, torna “juridicamente difícil e politicamente explosiva” a adoção de um regime de exceção permanente.

Com o foco agora voltado à corrupção, Bukele tenta repetir, em nova frente, a estratégia que o tornou um dos líderes mais populares da América Latina.

Com informações de Gazeta do Povo