Brasília, 17 de junho de 2026 – O atrito entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Davi Alcolumbre chegou a um nível que põe em xeque a capacidade de articulação do Palácio do Planalto no Legislativo e leva o Executivo a depender cada vez mais do Supremo Tribunal Federal (STF) para conter derrotas políticas.
Origem do conflito
A tensão ganhou corpo em 2025, quando Lula indicou Jorge Messias para a vaga aberta no STF. Alcolumbre, então presidente da Comissão de Constituição e Justiça, defendia Rodrigo Pacheco. A rejeição do nome de Messias pelo Senado abalou de vez o diálogo entre Planalto e Casa Alta.
Pautas-bomba em série
Desde então, Alcolumbre liberou para votação propostas consideradas de alto impacto fiscal, conhecidas como “pautas-bomba”. Entre elas estão o Refis do Agro, que permite a renegociação de dívidas de produtores rurais, e reajustes salariais para categorias da saúde. A equipe econômica calcula que os projetos podem gerar despesa de dezenas de bilhões de reais nos próximos anos, pressionando o Orçamento.
Caminho pela via judicial
Sem base sólida para barrar as iniciativas no plenário, o governo tem buscado o STF. A estratégia é questionar a constitucionalidade ou a responsabilidade fiscal das proposições aprovadas, transferindo para o Judiciário decisões que, na prática, pertencem ao campo político.
Refis do Agro em foco
O Ministério da Fazenda estima que o programa de renegociação rural pode custar R$ 140 bilhões ao Tesouro, valor contestado por lideranças do agronegócio. O ministro Gilmar Mendes já sinalizou que pode apoiar a derrubada da lei caso seja comprovado risco à estabilidade fiscal, o que reforça a aproximação entre Executivo e parte do tribunal.
Perspectivas para 2026
Analistas veem tendência de ampliação dessa dependência institucional em ano eleitoral. Com Alcolumbre retendo projetos de interesse do Planalto e pautas de forte apelo popular avançando, a expectativa é que o STF continue sendo acionado para mediar confrontos que impactem o processo eleitoral de outubro.
O impasse, segundo interlocutores do Congresso, deve manter o governo em permanente disputa judicial enquanto não recompõe sua base parlamentar.
Com informações de Gazeta do Povo