A Igreja Católica reforçou o apelo pela proteção do espaço sideral como bem de toda a humanidade durante a conferência “Espaço Sideral: Uma Nova Fronteira do Bem Comum”, realizada em 9 de junho, em Bruxelas. O evento foi organizado pela Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia (COMECE) em parceria com a Fundação Caritas in Veritate e reuniu autoridades europeias, diplomatas, acadêmicos e especialistas do setor espacial.
Preocupação ética e geopolítica
Segundo comunicado da COMECE, o encontro ocorreu em meio à rápida expansão da indústria espacial, marcada por novas potências, investimento privado crescente em satélites e missões comerciais, além de maior interesse econômico e estratégico. Diante desse cenário, os participantes defenderam diálogo e cooperação internacionais para garantir que o espaço permaneça acessível apenas para fins pacíficos, conforme o Tratado do Espaço Exterior de 1967.
O arcebispo Ettore Balestrero, observador permanente da Santa Sé na ONU e presidente da Caritas in Veritate, alertou que “o espaço não pode se tornar uma selva” regida pela lógica de “quem chega primeiro leva vantagem”. Para ele, a exploração deve ser conduzida com “responsabilidade, solidariedade e subsidiariedade” em benefício das gerações atuais e futuras.
Já o padre Manuel Barrios Prieto, secretário-geral da COMECE, destacou o papel da União Europeia na construção de regras globais. Ele citou iniciativas em curso, como a proposta de uma Lei Espacial da UE, a criação de um Escudo Espacial Europeu e investimentos em programas de observação e comunicação.
Publicação com diretrizes morais
Durante a conferência, a Fundação Caritas in Veritate lançou o estudo “Espaço Sideral e Humanidade em uma Encruzilhada: Reflexões sobre uma Nova Fronteira do Bem Comum”. O documento apresenta recomendações éticas e interdisciplinares sobre a presença humana além da Terra, focando em temas como detritos espaciais, congestionamento da órbita baixa e risco de militarização.
Os debatedores ressaltaram ainda a importância dos sistemas espaciais para comunicação, segurança, monitoramento ambiental e inovação tecnológica, mas frisaram a necessidade de estruturas de governança que conciliem avanço científico, segurança e preservação do bem comum.
Ao final, a COMECE afirmou que pretende manter o diálogo com instituições europeias e a sociedade civil para assegurar que o espaço sideral continue sendo “patrimônio compartilhado” e “província de toda a humanidade”.
Com informações de Gazeta do Povo