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Divisões internas e avanço de emergentes ameaçam prestígio do G7 na cúpula de 2026

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Évian-les-Bains (França) – O Grupo dos Sete inicia nesta segunda-feira, 15 de junho, sua cúpula anual em meio a fortes incertezas sobre o futuro do bloco. Reunidas na cidade francesa de Évian-les-Bains, as sete maiores economias desenvolvidas enfrentam desacordos profundos capitaneados pelos Estados Unidos e veem crescer a influência de potências médias como Brasil e Índia.

Pressão interna liderada por Washington

O principal foco de tensão parte do governo norte-americano, chefiado por Donald Trump. Washington intensificou disputas tarifárias com Europa e Japão, além de episódios diplomáticos atípicos, como a proposta de anexação da Groenlândia. As divergências se estendem ao campo energético: os EUA abandonaram projetos de energia limpa para priorizar combustíveis fósseis, enquanto europeus apertam a regulação sobre grandes empresas de tecnologia originárias dos EUA.

Emergentes ganham espaço à mesa

Convidados constantes, Brasil e Índia simbolizam a busca do G7 por legitimidade nas discussões globais. Com economias e populações robustas, esses países reforçam temas como meio ambiente e cadeias de suprimentos, reivindicando participação maior nas decisões internacionais e tentando equilibrar a influência de Washington e Bruxelas.

Peso econômico encolhe

Em 1975, os integrantes do G7 respondiam por 70% do Produto Interno Bruto mundial. Hoje, sua participação caiu para cerca de 43% em valores correntes e abaixo de 28% em paridade de poder de compra. A população do grupo soma menos de 10% do total global, cenário que obriga a aproximação com nações emergentes para preservar relevância política.

Brics ainda sem coesão para substituir o G7

Apesar de China e Rússia defenderem os Brics como contraponto direto, o bloco dos emergentes vive divisões internas. Conflitos recentes entre Irã e Emirados Árabes evidenciaram a dificuldade de posições unificadas, o que impede, por ora, que o G7 seja substituído como foro central de governança econômica.

Brasil e Índia: complemento e contraponto

Atuando como voz do chamado Sul Global, Brasil e Índia colaboram em pautas nas quais os países ricos divergem, como transição energética, e pressionam por reformas financeiras internacionais. Ao mesmo tempo, evitam alinhamento automático às grandes potências tradicionais, buscando ganhos próprios em um cenário cada vez mais multipolar.

Com divisões internas e pressão externa, a reunião de Évian-les-Bains testará a capacidade do G7 de se manter como principal instância de coordenação econômica mundial.

Com informações de Gazeta do Povo