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Polícia Federal sela por 100 anos a lista de visitas de Daniel Vorcaro e levanta debate sobre transparência

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Brasília, 14 jun 2026 – A Polícia Federal decretou sigilo de 100 anos sobre a relação de pessoas que visitaram o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do liquidado Banco Master, durante o período em que esteve custodiado. A decisão provoca forte reação de juristas e parlamentares, que apontam falta de transparência em um caso considerado um dos maiores escândalos financeiros do país.

Motivo alegado pela PF

Em resposta a pedidos baseados na Lei de Acesso à Informação (LAI), a corporação afirmou que a lista contém “dados pessoais sensíveis”, como nomes e CPFs dos visitantes. Segundo a PF, a divulgação violaria direitos à privacidade, imagem e honra dos envolvidos. Sugestões para liberar apenas os nomes, omitindo documentos, foram rejeitadas, mantendo o bloqueio integral até 2126.

Críticas de especialistas

Juristas sustentam que a LAI permite resguardar dados pessoais, mas não pode ser usada para ocultar fatos de interesse público. Por envolver prejuízos bilionários e possíveis interferências políticas, eles defendem que a sociedade tem direito de saber quem manteve contato com o investigado, especialmente se houver autoridades entre os visitantes.

Falta de padrão entre órgãos federais

O sigilo aplicado pela PF contrasta com a postura da Advocacia-Geral da União (AGU), que, em solicitação semelhante, divulgou nomes completos e CPFs de investigados no mesmo processo. A disparidade reforça críticas acerca de critérios distintos dentro do próprio governo.

Pressão do Congresso

A deputada Adriana Ventura enviou requerimento ao Ministério da Justiça pedindo explicações sobre quem determinou o sigilo e quais fundamentos jurídicos foram utilizados. A parlamentar propõe divulgação parcial da lista, preservando endereços de familiares, mas tornando públicos eventuais encontros com agentes do poder público.

Dimensão do caso Banco Master

Investigadores e autoridades, entre elas o ministro Fernando Haddad, classificam a fraude que levou à liquidação do Banco Master como possivelmente a maior da história bancária nacional. Diante dessa relevância, críticos enxergam a proteção de um século como barreira ao controle social e à apuração de possíveis influências externas durante a investigação.

A Polícia Federal não informou se pretende rever a decisão.

Com informações de Gazeta do Povo