Um grupo de especialistas em direitos humanos das Nações Unidas emitiu em 8 de junho um alerta sobre assassinatos, violência sexual, conversões e casamentos forçados, sequestros e desaparecimentos que atingem especialmente mulheres e meninas cristãs no norte e no Cinturão Central da Nigéria.
Segundo o comunicado, a deterioração da segurança e a resposta “inadequada” das autoridades civis permitem que grupos extremistas armados — entre eles Boko Haram, Província da África Ocidental do Estado Islâmico (ISWAP) e pastores muçulmanos radicalizados — atuem com relativa impunidade.
Fatores de risco
Os especialistas apontam como elementos que agravam o cenário a aplicação de interpretações locais da lei islâmica (Sharia) em 12 estados do norte, códigos de blasfêmia e falhas sistêmicas no acesso à justiça civil.
“A violência contra cristãos e outras minorias religiosas continua desenfreada”, afirmou uma das autoridades da ONU. Testemunhos reunidos pelo grupo descrevem “medo, trauma, coerção e abandono” entre as vítimas, que cobram proteção, justiça e reparações.
Casos citados
- Sequestro de meninas retiradas de uma igreja no estado de Borno;
- Conversão forçada e casamento de uma menina de 13 anos em Bauchi;
- Agressão contra uma cristã de 16 anos, que teve a mão decepada por militantes depois que a família recusou proposta de casamento forçado.
Os especialistas alertam que esses episódios fazem parte de um “padrão mais amplo de violência” que inclui assassinatos, ataques a igrejas e vilarejos, deslocamento em massa e violência motivada por acusações de blasfêmia.
Impunidade e apelos
A equipe — formada por relatores especiais sobre violência contra mulheres, execuções extrajudiciais, questões de minorias e tortura, além de integrantes do Grupo de Trabalho sobre Desaparecimentos Forçados ou Involuntários — exigiu que o governo nigeriano:
- proteja populações em risco;
- liberte pessoas sequestradas;
- conduza investigações independentes;
- processe os responsáveis;
- ofereça reparações e apoio às vítimas.
Para a organização de defesa religiosa ADF International, que já pressionou os Estados Unidos a recolocar a Nigéria na lista de “países de preocupação particular”, o posicionamento conjunto da ONU é “um passo significativo” para enfrentar as causas estruturais da perseguição.
Se confirmadas, as violações podem configurar crimes graves contra o direito internacional, incluindo atentados aos direitos à vida, à liberdade, à segurança, à liberdade religiosa, bem como às garantias de mulheres e crianças.
Com informações de Gazeta do Povo