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Aos 80 anos, Lula exibe rotina de exercícios durante radioterapia e tenta transformar saúde em trunfo político

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou, nas últimas semanas, a divulgação de imagens que ressaltam disposição física, mesmo enquanto cumpre um ciclo de 15 sessões de radioterapia preventiva.​ O tratamento teve início em 25 de maio, no Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, um mês após a retirada de um carcinoma basocelular no couro cabeludo.

Exposição calculada

Vídeos de caminhadas, agendas cheias e postagens da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja — como a publicação em que Lula aparece correndo na esteira, sem camisa, durante o feriado de Corpus Christi (4) — fazem parte da estratégia do Palácio do Planalto para apresentar o chefe do Executivo como ativo e apto a disputar a reeleição de 2026.

Lula completou 80 anos em outubro de 2025, tornando-se o primeiro presidente octogenário em exercício no Brasil. Na data, afirmou que “nunca se sentiu tão vivo” e que mantém a mesma energia dos 30 anos.

Dúvidas médicas sobre radioterapia

A decisão de submeter o presidente à radioterapia após a cirurgia gerou questionamentos entre profissionais que consideram o tumor de baixa agressividade e, na maior parte dos casos, tratado apenas com remoção cirúrgica. O radio-oncologista Alexandre Arthur Jacinto, da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) e do Hospital de Amor, explica que o método pode atuar como complemento, elevando a taxa de controle da doença para mais de 90%. Os efeitos colaterais tendem a ser locais, como vermelhidão e descamação da pele.

Especialistas ouvidos pela reportagem, alguns sob anonimato por não terem acesso ao prontuário, admitem curiosidade sobre os motivos da equipe médica para indicar a terapia adicional. Para o médico Iago Vinícius Gonçales Siqueira Oliveira, o procedimento não implica necessariamente gravidade maior, mas desperta interesse sobre as características da lesão.

Histórico de saúde em evidência

O tratamento atual soma-se a outros episódios recentes: cirurgia no quadril por artrose, câncer de laringe tratado em 2011, décadas de tabagismo e a queda doméstica de outubro de 2024, quando Lula bateu a cabeça no banheiro do Palácio da Alvorada e levou cinco pontos na nuca.

Apesar dos problemas, o presidente tem retirado o chapéu — recomendado para proteger a cicatriz — em eventos públicos para mostrar a área operada. Analistas políticos veem o gesto como tentativa de associar transparência e superação à imagem do governo.

Impacto eleitoral

Para o cientista político Elias Tavares, Lula busca antecipar possíveis questionamentos sobre a idade exibindo vitalidade e mantendo agendas extensas. Ele lembra do caso norte-americano de Joe Biden, que, aos 81 anos, enfrentou forte pressão sobre capacidade física e cognitiva antes de desistir da reeleição em 2024.

A analista Yolanda Tolentino avalia que o Planalto não esconde procedimentos médicos, mas tenta controlar a narrativa. Segundo ela, a divulgação de rotinas de exercício e continuidade de viagens visa reforçar a ideia de normalidade e trabalho ativo.

Contraste com o SUS

A rapidez com que Lula iniciou a radioterapia destaca as dificuldades do Sistema Único de Saúde. De acordo com Jacinto, entre 70 mil e 100 mil brasileiros deixam de receber o tratamento a cada ano por falta de estrutura adequada — o que pode chegar a quase um milhão de pacientes em uma década.

O presidente conclui as 15 sessões na próxima semana e, segundo a equipe médica, segue apto a cumprir compromissos oficiais dentro e fora do país.

Com informações de Gazeta do Povo