Brasília — O Partido dos Trabalhadores (PT) ingressou com três representações distintas no Ministério Público Eleitoral (MPE), na Polícia Federal (PF) e no gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino pedindo a investigação da origem dos recursos aplicados no longa-metragem “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Os pedidos, apresentados na quarta-feira (10/06/2026), questionam a veracidade da versão de que todo o financiamento tenha sido fornecido pelo empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Para a sigla, a operação financeira “carece de credibilidade” e pode esconder outras finalidades além da produção cinematográfica.
Alvos das apurações solicitadas
As petições do PT exigem:
- auditoria completa na contabilidade da obra;
- verificação de registro do filme na Agência Nacional de Cinema (Ancine);
- análise de contratos celebrados com produtores e fornecedores;
- cheque sobre a contratação de seguro para a produção;
- envio de ofício ao U.S. Copyright Office, nos Estados Unidos, para obter detalhes sobre direitos autorais;
- chegada da situação migratória do ator Jim Caviezel e do diretor Cyrus Nowrasteh no Brasil.
Áudio vazado com Vorcaro
A ofensiva jurídica ganhou força após reportagem do portal The Intercept publicar gravações em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chama Vorcaro de “amigo” e cobra o patrocínio combinado para “Dark Horse”. O parlamentar declarou que os valores são privados, destinam-se a um projeto igualmente privado e não envolvem incentivos fiscais da Lei Rouanet.
Suspensão de pesquisa e novo embate no TSE
Paralelamente, apoiadores de esquerda criticam decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, que suspendeu pesquisa do instituto AtlasIntel citando os áudios. O caso havia sido distribuído à ministra Estela Aranha, mas Marques utilizou o mecanismo de avocação, alterou regras internas e atraiu o processo para si, incluindo o vice-presidente da Corte, André Mendonça, no novo sorteio.
Suspeita de propaganda antecipada
O PT argumenta que o lançamento do filme está previsto para o período eleitoral de 2026 e, por isso, poderia configurar propaganda irregular em favor de possíveis candidatos da família Bolsonaro. O roteiro inclui personagens como Flávio, interpretado por Marcus Ornellas, Michelle Bolsonaro e Carlos Bolsonaro, todos apontados como nomes potenciais para as urnas.
Em janeiro, o TSE rejeitou acusação semelhante contra o samba-enredo da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Lula (PT), mas, desta vez, o partido alega que “Dark Horse” projeta o núcleo político bolsonarista justamente no momento mais sensível da campanha.
Ainda não há prazo para a análise das representações nem manifestação dos órgãos acionados.
Com informações de Gazeta do Povo