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Tentativas de adulteração de cédulas geram tensão no segundo turno presidencial do Peru

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Pelo menos 15 ocorrências envolvendo cédulas marcadas irregularmente e uma tentativa de invasão de seção eleitoral foram registradas neste domingo (7), durante o segundo turno das eleições presidenciais do Peru, disputado por Keiko Fujimori (direita) e Roberto Sánchez (esquerda). O balanço foi apresentado pelo presidente da Junta Nacional Eleitoral (JNE), Roberto Burneo, na tarde do próprio dia de votação.

De acordo com Burneo, a maior parte dos incidentes ocorreu em Lima. Em casos de cédulas já assinaladas, o material foi imediatamente substituído. O dirigente ressaltou que a invalidação de cédulas por fiscais partidários não anula automaticamente a seção: essa decisão cabe apenas ao JNE ou aos Júris Eleitorais Especiais (JEE), caso algum partido formalize pedido de nulidade.

Entre os pontos críticos estão os distritos de Surco e La Molina, na capital, onde a Polícia Nacional e o Ministério Público prestaram apoio aos funcionários eleitorais. No sul do país, em Puno, fiscais relataram uma tentativa de tomar uma mesa de votação, ação que acabou frustrada.

Burneo negou que haja fraude em curso e pediu tranquilidade aos eleitores. Segundo ele, todas as denúncias estão sendo tratadas conforme as normas vigentes. “O processo segue com absoluta normalidade”, afirmou, acrescentando que apenas após as apurações dos JEE será possível concluir se ocorreram irregularidades.

A Defensoria Pública, porém, usou as redes sociais para alertar sobre “uma nova tática que beira a fraude”, relacionando o aparecimento de cédulas pré-marcadas em algumas seções. O órgão pediu investigação imediata.

Um dos casos mais graves envolveu Oracio Rafaile Huamayalli, de 81 anos, detido com cédulas adulteradas em uma mesa diferente daquela para a qual estava credenciado como representante partidário. O Juntos pelo Peru, sigla que apoia Sánchez, informou que Huamayalli é filiado ao Partido Aprista e não tinha autorização para atuar no local onde foi preso.

Enquanto as denúncias eram apuradas, duas pesquisas de boca de urna indicavam empate técnico. A Ipsos apontou 50,7% dos votos válidos para Fujimori e 49,3% para Sánchez; a Datum registrou 50,53% contra 49,47%, respectivamente. Ambas têm margem de erro de 3 pontos percentuais.

Mais de 27,3 milhões de peruanos estavam aptos a escolher o próximo presidente, que governará de 2026 a 2031. Será o nono chefe de Estado do país em dez anos, período marcado por sucessivos processos de impeachment.

Com informações de Gazeta do Povo