Brasília, 4 de junho de 2026 – As cores verde e amarela, historicamente associadas ao patriotismo brasileiro, se transformaram em símbolo de disputa eleitoral entre direita e esquerda a poucos dias do início da Copa do Mundo.
Desde os grandes protestos contra o PT na década passada, passando pelos atos de apoio aos presos de 8 de janeiro, bandeiras e camisetas nas cores da bandeira passaram a caracterizar manifestações conservadoras, enquanto o vermelho continuou ligado à esquerda e a movimentos sociais.
Com a proximidade do Mundial e em plena pré-campanha para as eleições de 2026, a esquerda tenta retomar o uso dos símbolos nacionais. Em eventos recentes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu a aliados que “aprendam a usar” o verde e amarelo para evitar, nas palavras dele, que as cores fiquem “nas mãos de fascistas”.
A estratégia não é nova. Desde janeiro de 2023, no início do terceiro mandato, Lula vem associando patriotismo e defesa da democracia aos símbolos da bandeira. A mesma linha pautou solenidades de 7 de Setembro e peças publicitárias do governo – como a campanha em favor da soberania nacional, lançada após o aumento de tarifas dos Estados Unidos em 2025.
Apesar do esforço, a tentativa esbarrou em controvérsias. No ano passado, a circulação de uma versão não oficial da camisa da Seleção em vermelho, divulgada extraoficialmente para a Copa, gerou forte reação de torcedores e da oposição, evidenciando a resistência à mudança cromática.
Do outro lado, a direita reforça o vínculo com o verde e amarelo. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, tem adotado a camiseta da Seleção como uniforme de campanha. Em agendas, entrevistas e publicações nas redes, ele e sua equipe aparecem trajados de amarelo. Na visita à Casa Branca, o parlamentar levou um uniforme para presentear o ex-presidente norte-americano Donald Trump, embora a entrega não tenha sido registrada em foto oficial.
Militantes de esquerda, por sua vez, ocasionalmente usam as cores nacionais para se infiltrar em atos da direita e promover protestos, o que ilustra a complexidade da disputa simbólica. A controvérsia também envolve o atacante Neymar, apoiador declarado de Jair Bolsonaro desde 2022, cuja popularização da “camisa canarinho” como sinal político intensificou a polarização.
Com a Copa do Mundo começando na próxima semana, vitrines, ruas e redes sociais já exibem o verde e amarelo, reacendendo a discussão sobre a quem pertencem as cores da bandeira e ampliando a tensão na corrida pelo Planalto.
Com informações de Gazeta do Povo