O deputado federal Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) solicitou nesta terça-feira (2) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a abertura de investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por suposta articulação que teria resultado no novo “tarifaço” dos Estados Unidos contra produtos brasileiros.
Na notícia de fato encaminhada a Moraes, Vieira relaciona o caso ao inquérito em que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) é réu, acusado de coagir autoridades ao defender sanções norte-americanas. O parlamentar afirma que, “assim como Eduardo Bolsonaro articulou sanções pessoais a ministros do STF, Flávio Bolsonaro atuou junto ao presidente Donald Trump e ao secretário de Estado Marco Rubio para pressionar economicamente o Brasil”.
Flávio se reuniu com Trump e Rubio na mesma data ainda não divulgada oficialmente. Dois dias depois do encontro, o governo norte-americano classificou as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Em 1º de junho, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) recomendou tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. O relatório que fundamenta a medida menciona decisões judiciais brasileiras contra redes sociais dos EUA, políticas que favoreceriam o Pix em detrimento de empresas de pagamento estrangeiras e a suposta falta de combate à corrupção e à pirataria.
Vieira pede que o STF requisite, por via diplomática, informações ao Departamento de Estado norte-americano sobre o conteúdo das reuniões de Flávio. Solicita ainda que o senador apresente cópias de eventuais comunicações com autoridades dos EUA relativas a tarifas, sanções ou processos judiciais em curso no Brasil.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atribuiu publicamente o tarifaço à atuação dos filhos de Jair Bolsonaro, dizendo que eles “foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras”. Flávio, por sua vez, declarou ter solicitado ao governo Trump que não adotasse a taxação e, nesta terça, enviou carta a Rubio para tentar barrar a medida.
O senador já é alvo de pedido semelhante do vice-líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ). Em 26 de maio, Moraes deu cinco dias para a Procuradoria-Geral da República se manifestar sobre essa demanda, prazo que ainda não resultou em parecer.
Com informações de Gazeta do Povo