Fortaleza – O pré-candidato do PSDB ao governo do Ceará, Ciro Gomes, defendeu neste domingo (31) a aproximação com lideranças do PL e rebateu a acusação do senador Camilo Santana (PT-CE) de que estaria “se juntando ao bolsonarismo” para enganar o eleitor. “Os meus bolsonaristas são todos homens honrados, limpos. Nenhum deles é picareta nem está envolvido com a Polícia Federal”, declarou.
A crítica de Santana havia sido feita em 27 de maio, quando o petista questionou a mudança de postura de Ciro, que no passado chamava a família Bolsonaro de “ladrões” e “bandidos”. O senador também cobrou explicações sobre o silêncio do ex-governador em relação ao caso que envolve Flávio Bolsonaro e o Banco Master.
Ciro afirmou que o objetivo da nova aliança é reunir uma oposição que, segundo ele, estava “dispersa e fraturada” para enfrentar o “poder que corrompe totalmente” no estado. “Busco quem queira livrar o Ceará desta ditadura corrupta”, reforçou.
Pedidos de desculpa e novos apoios
O tucano revelou ter feito um pedido público de desculpas ao pré-candidato ao Senado Capitão Wagner (União-CE), a quem admitiu ter atacado “cegamente” por rivalidade com seu irmão, o senador Cid Gomes (PSB-CE). Além de Wagner, Ciro selou acordo com o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio e se aproximou do deputado federal André Fernandes (PL-CE).
Resistência de Michelle Bolsonaro
A união entre PSDB e PL enfrenta oposição dentro da própria direita. Em dezembro de 2025, o diretório cearense do PL, comandado por Fernandes, anunciou apoio a Ciro, o que provocou reação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Durante o lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE) ao Palácio da Abolição, Michelle declarou que não aceitaria aliança com “um homem que é contra o maior líder da direita”.
A crítica gerou crise interna na família Bolsonaro. Fernandes assegurou ter aval do ex-presidente Jair Bolsonaro; Flávio Bolsonaro endossou o deputado e acusou a madrasta de atropelar a vontade do pai. Já o ex-deputado Eduardo Bolsonaro classificou a fala de Michelle como “injusta e desrespeitosa”. Na sequência, o PL decidiu suspender temporariamente a negociação com o PSDB.
No início de maio, Michelle voltou a atacar Ciro nas redes sociais, publicando um vídeo de 2019 em que o ex-governador chama Jair Bolsonaro de “jumento”.
Mesmo com as divergências, Ciro mantém o plano de formar uma frente contra o PT no Ceará e reforça que não mudará o discurso: “Vou caminhar com quem tiver ficha limpa e disposição para enfrentar a corrupção”.
Com informações de Gazeta do Povo