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Cardeal tcheco volta à sua cidade para beatificar padres executados pelo comunismo

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Praga – No próximo 6 de junho, a cidade de Brno, na atual República Tcheca, receberá a primeira cerimônia de beatificação de sua história. O cardeal Michael Czerny, prefeito do Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral e nascido em Brno há 80 anos, presidirá o rito que elevará aos altares os padres Jan Bula (1920-1952) e Václav Drbola (1912-1951), executados pelo regime comunista da antiga Tchecoslováquia.

Retorno emotivo

Filho de tchecos que emigraram para o Canadá para escapar da repressão, Czerny disse à EWTN News que voltar à terra natal é “uma experiência muito emocionante”. Durante a infância, lembrou que não imaginava “o que acontecia por trás da Cortina de Ferro”.

Diocese prepara grande celebração

A Diocese de Brno, que completará 250 anos em 2027, espera milhares de fiéis no centro de exposições da cidade. Um programa espiritual e cultural ocorrerá durante todo o dia, antecedido por uma novena de nove dias. “Os próximos dias devem nos ajudar a conhecer pessoalmente Jan Bula e Václav Drbola”, afirmou o bispo local, Pavel Konzbul, destacando que a intenção é evitar que a beatificação seja “um evento único”.

Mártires do regime

Bula e Drbola foram presos após o golpe comunista de 1948. Ambos foram acusados de cumplicidade em um tiroteio que matou três militantes do Partido Comunista, apesar de já estarem encarcerados no momento do crime. Condenados em julgamentos encenados, Drbola foi executado em 1951 e Bula, em 1952. Eles foram reabilitados postumamente em 1990.

Preparação dos fiéis

A diocese distribuiu materiais de oração e catequese, produziu um filme animado de seis minutos com inteligência artificial e gravou um documentário sobre os sacerdotes. Cerca de 40 catequistas percorreram igrejas e paróquias ligadas aos dois mártires para conhecer os locais e “espalhar sua história entre crianças e jovens”.

Conferência em Roma

Em 20 de maio, aniversário da execução de Bula, a embaixada tcheca junto à Santa Sé promoveu no Colégio Pontifício Tcheco Nepomucenum, em Roma, a conferência “Os Mártires Beatos do Comunismo”. Na abertura, Czerny afirmou que os padres “transformaram o tribunal em púlpito e a prisão em altar”.

Coragem reconhecida

O padre Karel Orlita, responsável pela fase diocesana da causa, lembrou que, em 1949, poucos sacerdotes tiveram coragem de ler nas igrejas as cartas pastorais que denunciavam a perseguição. “Bula e Drbola o fizeram”, disse. A postuladora romana, Maria Bresciani, frisou que a perseguição ocorreu devido “à identidade cristã, influência sobre os fiéis e lealdade ao papa”.

Segundo Eva Vybíralová, do Instituto para o Estudo de Regimes Totalitários, a devoção popular aos dois padres perdura desde suas mortes. Ambos serão os primeiros mártires vítimas de regimes totalitários do século XX a serem beatificados no território da atual República Tcheca.

Com informações de Gazeta do Povo