Bogotá – O Ministério das Relações Exteriores da Colômbia acusou nesta sexta-feira (30) o presidente do Equador, Daniel Noboa, de interferir “de forma direta e deliberada” no processo eleitoral colombiano ao anunciar, por vídeo, a suspensão de tarifas sobre produtos do país vizinho.
No comunicado, a chancelaria classificou a medida como “enganosa” e afirmou que a iniciativa representa “violação flagrante do princípio da não intervenção nos assuntos internos, ameaça à soberania nacional e ataque ao sistema democrático”. Até o momento, o governo equatoriano não se pronunciou.
Anúncio às vésperas da votação
Noboa divulgou a retirada das taxas durante uma videochamada gravada com o candidato presidencial da direita, Abelardo de la Espriella. O conteúdo foi amplamente compartilhado nas redes sociais a apenas dois dias do primeiro turno das eleições colombianas, marcado para 31 de maio. Para o governo de Gustavo Petro, o gesto buscou favorecer a oposição e influenciar o resultado das urnas.
Obrigação jurídica, diz Bogotá
Segundo a chancelaria colombiana, a isenção tarifária, que passa a valer em 1º de junho, não é um ato de “boa vontade”, como afirmou Noboa, mas sim o cumprimento de uma determinação da Secretaria-Geral da Comunidade Andina. O órgão regional havia ordenado que Colômbia e Equador eliminassem barreiras comerciais até 21 de maio.
“Apresentar uma imposição legal como concessão voluntária distorce a realidade institucional e prejudica as relações bilaterais”, destacou o comunicado de Bogotá.
A acusação eleva a tensão diplomática entre os dois países em meio à reta final da campanha presidencial colombiana, na qual Iván Cepeda, aliado de Petro, aparece como favorito.
Com informações de Gazeta do Povo