As empresas estatais federais não financeiras acumularam déficit de R$ 5,93 bilhões entre janeiro e abril de 2026, informou o Banco Central nesta sexta-feira (29). O resultado é o pior para o primeiro quadrimestre desde o início da série histórica, em 2002, e já supera o rombo registrado em todo o ano passado, que somou R$ 5,1 bilhões.
O levantamento considera companhias como Correios, Infraero, Serpro, Dataprev e Casa da Moeda, mas exclui Petrobras, Eletrobras e bancos públicos. O Banco Central calcula o desempenho das estatais a partir da variação de sua dívida.
Correios concentram maior parte das perdas
O recorde negativo ocorre em meio à crise financeira dos Correios, que encerraram 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões e somam 14 trimestres consecutivos de resultados negativos. Para reforçar o caixa, a estatal contratou no fim do ano passado um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia do Tesouro Nacional.
Mesmo após o aporte, o presidente da empresa, Emmanoel Rondon, afirmou que poderão ser necessários mais R$ 8 bilhões em 2026, por meio de novos financiamentos ou de recursos diretos da União.
Projeção de saldo negativo até 2030
O governo federal já admite déficits nas estatais até o fim da década. No projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027, enviado ao Congresso, o Executivo prevê resultados negativos até 2030 e reconhece a possibilidade de novos aportes aos Correios.
O desempenho divulgado pelo Banco Central aumenta a pressão por ajustes na gestão das empresas públicas e renova o debate sobre o impacto dessas companhias nas contas da União.
Com informações de Gazeta do Povo