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Governo chama PCC e CV de terroristas, contesta decisão dos EUA e aponta família Bolsonaro por “intervenção”

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Brasília – Em nota oficial divulgada nesta sexta-feira (29/05/2026), o governo federal afirmou que o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e milícias “praticam terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias”. É a primeira vez que o Executivo associa explicitamente o conceito de terrorismo ao crime organizado no país.

O comunicado foi emitido um dia depois de os Estados Unidos incluírem PCC e CV na lista de organizações terroristas. Apesar de adotar o termo, o Planalto sustenta que a violência dessas facções “não pode ser confundida” com atos motivados por razões ideológicas, políticas ou religiosas, características do terrorismo internacional, segundo a própria nota.

O texto rompeu o tom institucional ao mencionar “falsos patriotas” que estariam tentando manipular a opinião pública e, nominalmente, a “família Bolsonaro”. Para o governo, é “deplorável que integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço”.

A manifestação ocorre logo depois da visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-presidente norte-americano Donald Trump. Na ocasião, o parlamentar agradeceu a Trump e ao secretário de Estado, Marco Rubio, pela classificação das facções como terroristas.

Defesa da soberania e cooperação condicionada

A Secretaria de Comunicação Social (Secom) citou a recente lei antifacção — que prevê penas de até 80 anos de prisão — e o programa “Brasil contra o Crime Organizado” como exemplos do enfrentamento interno às facções. O governo diz aceitar parcerias internacionais, inclusive com os EUA, desde que não impliquem “violação da soberania nacional”.

Segundo o comunicado, o Brasil apresentou em 16 de abril deste ano ao Departamento de Estado norte-americano uma proposta de cooperação focada em inteligência, combate à lavagem de dinheiro no exterior e controle do tráfico de armas destinadas ao país.

Críticas a medidas unilaterais

O Palácio do Planalto argumenta que ações estrangeiras não negociadas podem fragilizar o combate ao crime, colocar civis em risco e afetar o sistema financeiro brasileiro. A nota menciona o Pix como inovação que poderia ser prejudicada por sanções externas.

“A soberania nacional é inegociável”, afirma o documento ao rejeitar “qualquer forma de interferência externa” nos assuntos internos do Brasil.

Com informações de Gazeta do Povo