Washington (28/05/2026) — O Departamento de Estado dos Estados Unidos incluiu, nesta quinta-feira (28), o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO). A medida, inédita em relação a facções brasileiras, repercutiu imediatamente na imprensa internacional.
Pressão dos filhos de Bolsonaro é destaque no New York Times
O The New York Times relacionou a decisão à recente viagem do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro aos EUA e à atuação do deputado Eduardo Bolsonaro. Segundo o jornal, a designação ocorreu “após meses de intensa pressão” dos dois parlamentares, filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso.
A publicação também destacou que Flávio Bolsonaro reforçou pessoalmente ao presidente Donald Trump o pedido para que as facções fossem rotuladas como terroristas, movimento que pode tensionar as relações entre Washington e Brasília poucas semanas depois do encontro de Trump com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Casa Branca.
Financial Times aponta impacto eleitoral no Brasil
O britânico Financial Times ressaltou que a classificação ocorre em meio à corrida eleitoral brasileira, na qual Lula busca a reeleição. De acordo com o jornal, o governo petista se opôs à medida, argumentando que PCC e CV não têm motivações ideológicas e que a nova condição poderia abrir espaço para eventual intervenção militar norte-americana no país.
O veículo lembrou ainda que Washington avaliava a inclusão há pelo menos um ano, mas observou que o anúncio favorece politicamente Flávio Bolsonaro, conhecido por defender políticas de segurança mais rígidas.
Associated Press prevê segurança pública como tema central
Para a Associated Press, a segurança pública tende a dominar o debate presidencial brasileiro de 2026. A agência informou que um representante do governo brasileiro, sob anonimato, afirmou não ter recebido aviso prévio da administração Trump sobre o anúncio.
Objetivos da designação
Estimativas de autoridades e especialistas em segurança apontam que PCC e CV reúnem dezenas de milhares de integrantes, entre membros diretos e redes de apoio. Ao colocá-los na lista de terroristas, Washington pretende bloquear fontes de financiamento, restringir a circulação internacional dos envolvidos e aumentar a pressão sobre suas estruturas ligadas ao narcotráfico e à violência organizada.
Com informações de Gazeta do Povo