Em 26 de maio de 2026, a Federação de Futebol da República Islâmica do Irã realizou em Teerã uma cerimônia oficial de despedida para a seleção nacional, que embarca para a Copa do Mundo da FIFA de 2026, sediada por Estados Unidos, Canadá e México.
Transmitido pela IRINN TV, o evento combinou clima esportivo com manifestações políticas. O mestre de cerimônias liderou cânticos de “Morte à América” e “Morte a Israel”, afirmando que a “voz do povo” se estenderia “do campo de batalha até a Casa Branca”.
Durante a solenidade, um combatente ferido, identificado como integrante de operações com lançadores de mísseis, foi homenageado. Em seguida, o comandante de alto escalão do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), Hossein Yekta, comparou a atuação da equipe em campo ao bloqueio do Estreito de Ormuz e declarou que a participação iraniana na Copa buscaria “trazer tristeza ao presidente Donald Trump”.
Negociações sensíveis entre Irã e EUA
A despedida acontece enquanto Teerã e Washington conduzem intensas negociações diplomáticas. No mesmo período, o presidente norte-americano, Donald Trump, convocou reunião extraordinária de gabinete em Camp David para avaliar o andamento dos diálogos, inseridos em um cessar-fogo frágil e após recentes ações militares limitadas, classificadas pelos EUA como defensivas, no Estreito de Ormuz.
Os encontros tratam de temas como programa nuclear iraniano, inspeções internacionais, possíveis alívios seletivos de sanções e a reabertura segura da rota marítima estratégica.
FIFA sob pressão para isolar política do futebol
O episódio adiciona novos desafios à FIFA, tradicionalmente empenhada em afastar questões políticas do futebol. No congresso da entidade, realizado em 30 de abril de 2026, em Vancouver, o presidente da Federação Palestina de Futebol, Jibril Rajoub, recusou apertar a mão e posar ao lado do vice-presidente da Federação Israelense, Basim Sheikh Suliman, mesmo após um convite público do presidente da FIFA, Gianni Infantino. O constrangimento evidenciou a dificuldade da organização, que reúne 211 federações nacionais, em lidar com tensões políticas projetadas sobre o esporte.
Com a estreia da seleção iraniana marcada para junho, a entidade máxima do futebol volta a ser cobrada a manter a competição focada no campo, enquanto governos e grupos utilizam a visibilidade do torneio para enviar mensagens de peso geopolítico.
Com informações de Pleno.News