Home / Internacional / Putin sanciona lei que libera uso das Forças Armadas fora da Rússia para “proteger cidadãos”

Putin sanciona lei que libera uso das Forças Armadas fora da Rússia para “proteger cidadãos”

ocrente 1779771864
Spread the love

O presidente Vladimir Putin promulgou nesta segunda-feira (25) uma lei que autoriza o envio de tropas russas ao exterior para defender cidadãos do país que estejam presos, detidos ou respondendo a processos judiciais fora da Rússia.

A nova norma, aprovada previamente pelas duas câmaras do Parlamento, prevê o emprego extraterritorial de unidades militares por decisão direta do chefe do Executivo. Segundo a agência Interfax, o texto entra em vigor dez dias após publicação no Diário Oficial.

Na Duma Estatal, câmara baixa, o projeto foi aprovado em 13 de maio por 381 dos 450 deputados. Já o Conselho da Federação, equivalente ao Senado, deu aval em 20 de maio.

O dispositivo permite que Moscou alegue proteção a cidadãos russos para justificar operações militares em outros países quando, de acordo com o Kremlin, inexistirem tratados ou resoluções do Conselho de Segurança da ONU que embasem tais detenções.

Para o senador Andrei Klishas, presidente do Comitê de Legislação Constitucional, a medida tem caráter “preventivo” e visa resguardar compatriotas. O deputado Andrei Kartapolov, que preside o Comitê de Defesa da Duma, citou o caso do arqueólogo russo Alexander Butyagin — detido na Polônia a pedido da Ucrânia — como exemplo de situação que poderia ser evitada.

Parlamentares ligados ao Kremlin apresentaram a proposta como resposta a uma suposta “campanha de russofobia” no exterior. Desde a anexação da Crimeia em 2014, Moscou recorre com frequência ao argumento de defesa de cidadãos russos para justificar ações militares, especialmente contra a Ucrânia.

Analistas ouvidos pela imprensa internacional avaliam que a legislação pode servir de instrumento de pressão sobre países que colaborem com tribunais internacionais. Em março de 2023, o Tribunal Penal Internacional emitiu mandados de prisão contra Putin e contra Maria Lvova-Belova por supostos crimes de guerra relacionados à deportação de crianças ucranianas — decisões não reconhecidas pelo governo russo.

Com informações de Gazeta do Povo