Os Estados Unidos elevaram o tom de alerta sobre a atuação chinesa em setores considerados sensíveis da Argentina, especialmente mineração de lítio e infraestrutura militar. O tema ganhou força depois de uma missão oficial argentina a Washington, em meados de maio, liderada por Santiago Caputo, assessor próximo do presidente Javier Milei.
Durante os encontros, integrantes do governo Donald Trump manifestaram preocupação com o avanço de Pequim em recursos naturais e voltaram a pedir o encerramento da base chinesa instalada na província de Neuquén, que, segundo autoridades norte-americanas, teria potencial de espionagem.
Dependência econômica limita manobra argentina
Milei reforça alinhamento político com Washington, mas enfrenta limitações para reduzir os laços com Pequim. A China é hoje grande compradora de commodities argentinas, investe em obras de infraestrutura e garante liquidez ao Banco Central por meio de um swap cambial renovado recentemente. O instrumento ampliou o acesso do país a moeda chinesa em um momento de escassez de reservas internacionais.
Áreas consideradas críticas pelos EUA
Especialistas ouvidos pelo governo norte-americano classificam como estratégicos os setores de lítio, portos, hidrovias, telecomunicações, defesa, energia e dados. A orientação de Washington, segundo analistas, não é proibir o comércio argentino com os chineses, mas evitar que empresas da China controlem nós logísticos e produtivos vistos como vitais.
Acordo de minerais críticos
Em fevereiro, EUA e Argentina firmaram um pacto para ampliar a cooperação em minerais críticos, abrindo caminho a investimentos norte-americanos no processamento de lítio e outros insumos estratégicos. O acerto inclui harmonização regulatória e restrições a bens de uso dual (civil e militar).
Pressão também sobre outros parceiros
A ofensiva não se limita a Buenos Aires. No início de maio, durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Casa Branca, Washington buscou avançar em acordos semelhantes com o Brasil. Em março, a gestão Trump lançou o Escudo das Américas, iniciativa voltada ao combate a facções criminosas, mas que, segundo observadores, também busca conter o espaço de China e Rússia na região.
Para analistas, os EUA só terão sucesso em reduzir a influência chinesa se oferecerem pacotes de financiamento e acesso a mercado tão atrativos quanto os de Pequim. Caso contrário, países latino-americanos, mesmo governados por líderes de direita, tendem a preservar a relação com a segunda maior economia do mundo.
Com informações de Gazeta do Povo