O governo dos Estados Unidos intensificou os alertas acerca da presença econômica e militar da China na Argentina, país que tenta equilibrar o alinhamento ideológico do presidente Javier Milei com Donald Trump e a dependência de investimentos chineses.
Controle de minerais estratégicos
Em Washington, a maior preocupação é o domínio chinês sobre minerais críticos, sobretudo o lítio, essencial para a produção de baterias. Empresas chinesas lideram projetos de extração no chamado “triângulo do lítio”, que inclui as províncias argentinas de Jujuy, Salta e Catamarca.
Base em Neuquén sob suspeita
Outro ponto sensível é a estação chinesa instalada na província de Neuquén. Oficialmente dedicada a pesquisa espacial, a unidade é vista por autoridades norte-americanas como potencial plataforma de espionagem, motivo pelo qual Washington pressiona Buenos Aires a rever o acordo.
Milei mantém portas abertas
Apesar do alinhamento político com Trump, Milei reconhece a necessidade de manter os laços econômicos com Pequim. A China é um dos principais compradores de commodities argentinas, financia obras de infraestrutura e sustenta um acordo de swap cambial que reforça as reservas internacionais do país em plena crise econômica.
Acordo EUA-Argentina para minerais
Na tentativa de reduzir a influência chinesa, Washington e Buenos Aires assinaram em fevereiro um acordo para ampliar o fornecimento e o processamento de minerais críticos destinados ao mercado norte-americano.
Pressão e incentivos dos EUA
A Casa Branca recorre a incentivos financeiros, cooperação militar e iniciativas de segurança, como o programa “Escudo das Américas”, para convencer a Argentina a priorizar parcerias ocidentais em detrimento de China e Rússia.
Reflexos na diplomacia regional
O Brasil também entrou no radar norte-americano. Durante a visita do presidente Lula a Washington, no início de maio, avançaram negociações para garantir acesso a recursos estratégicos brasileiros, repetindo a estratégia aplicada na Argentina.
Sem perspectiva de romper com Pequim, Milei busca aproveitar a concorrência entre as potências para aliviar a crise financeira doméstica, enquanto os Estados Unidos tentam limitar a expansão chinesa em infraestruturas consideradas vitais na América do Sul.
Com informações de Gazeta do Povo