Teerã — O Irã executou neste domingo, 24 de maio, Mojtaba Kian, condenado por repassar aos Estados Unidos e a Israel dados sobre instalações de produção de material de defesa. A execução por enforcamento foi anunciada pela agência estatal Mizan, ligada ao Poder Judiciário.
De acordo com a acusação, Kian enviou coordenadas e descrições de locais onde peças destinadas ao setor militar eram fabricadas. Pelo menos uma das áreas apontadas por ele teria sido posteriormente atacada e destruída durante o conflito iniciado em 28 de fevereiro entre Irã, Estados Unidos e Israel.
Processo concluído em menos de 50 dias
O Judiciário informou que todo o procedimento — da prisão à execução — levou menos de 50 dias, em cumprimento a uma orientação do governo de acelerar julgamentos envolvendo supostos colaboradores de potências estrangeiras. As autoridades afirmam que Kian trocou mensagens com “redes ligadas ao inimigo sionista-americano”.
Escalada de penas capitais
Desde o início da guerra, o regime intensificou a repressão a suspeitos de espionagem. Em 11 de maio, Erfan Shakourzadeh foi executado sob acusação de trabalhar para a CIA e o Mossad; dois dias depois, Ehsan Afrashteh também foi enforcado por suposta cooperação com o serviço secreto israelense. No início do mês, em 2 de maio, Yaghoub Karimpour e Nasser Bakarzadeh receberam a mesma pena.
Casos anteriores incluem as execuções, em abril, de Mohammad Masoum Shahi e Hamed Validi, ambos acusados de integrar uma rede ligada ao Mossad e planejar ataques dentro do território iraniano.
Números de prisões e críticas internacionais
A Organização das Nações Unidas informou em 29 de abril que ao menos 21 pessoas foram executadas no Irã desde o começo do conflito, enquanto mais de 4 mil foram presas por supostos delitos contra a segurança nacional. Já o chefe da polícia iraniana, Ahmadreza Radan, divulgou em 17 de maio que 6,5 mil pessoas haviam sido detidas, classificadas como “traidores e espiões”.
Entidades de direitos humanos denunciam confissões obtidas sob coação e julgamentos acelerados. Segundo grupos de monitoramento citados pelo jornal britânico The Guardian, há relatos de execuções quase diárias realizadas em sigilo, com famílias impedidas de receber os corpos.
Com informações de Gazeta do Povo