A escalada de casos de ebola no leste da República Democrática do Congo (RD Congo) levou o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (CDC da África) a classificar dez nações vizinhas como de “alto risco” para a propagação do vírus. O alerta foi divulgado neste sábado (23) pelo diretor-geral do órgão, Jean Kaseya, em entrevista coletiva virtual realizada em Kampala, capital de Uganda.
De acordo com Kaseya, o surto já atinge dois países — RD Congo e Uganda — e pode avançar rapidamente para Angola, Burundi, República Centro-Africana, República do Congo (Congo-Brazzaville), Etiópia, Quênia, Ruanda, Sudão do Sul, Tanzânia e Zâmbia. “Todos os demais países, por não fazerem fronteira com as áreas afetadas, estão fora da zona de risco por enquanto; porém, esse quadro pode mudar conforme a evolução do surto”, explicou.
Aumento de casos e nova cepa
O Ministério da Saúde de Uganda confirmou três novas infecções neste sábado, elevando para cinco o total de casos no país. O foco original do surto foi declarado em 15 de maio na província de Ituri, no nordeste da RD Congo, região que faz limite com Uganda e Sudão do Sul.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cepa responsável é a Bundibugyo, cuja taxa de letalidade varia entre 30% e 50% e para a qual ainda não há vacina aprovada nem tratamento específico. A agência da ONU também atualizou, na sexta-feira (22), o número de óbitos suspeitos na RD Congo para 177, além de 750 casos sob investigação.
Recurso emergencial de US$ 319 milhões
O CDC da África calcula que serão necessários cerca de US$ 319 milhões para conter a epidemia. Do montante, 84,1% devem ser destinados às ações diretas na RD Congo e em Uganda; o restante financiará medidas de preparação e vigilância nos dez países classificados como “alto risco”.
A OMS já havia elevado o nível de risco de disseminação nacional do ebola para “muito alto”, reforçando a necessidade de mobilização de recursos e de intensificação das estratégias de contenção nas regiões afetadas.
Com informações de Gazeta do Povo