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Juros altos nos EUA e tensão no Oriente Médio puxam R$ 8 bi de investidores estrangeiros para fora da B3

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Em maio de 2026, investidores estrangeiros sacaram aproximadamente R$ 8 bilhões da Bolsa brasileira, encerrando o clima de otimismo registrado no início do ano. O fluxo negativo foi provocado por uma combinação de fatores externos que acirraram a busca por mercados considerados mais seguros.

‘Tempestade perfeita’ afasta capital

A alta dos juros nos Estados Unidos e na Europa, somada ao avanço dos conflitos entre Israel e Irã, formou o cenário descrito por analistas como “tempestade perfeita”. A escalada geopolítica elevou o preço do petróleo de menos de US$ 60 para perto de US$ 100 o barril, pressionando a inflação global e reforçando a necessidade de políticas monetárias restritivas nas economias centrais. Com rendimentos mais atrativos e risco menor, parte do capital migrou para títulos do Tesouro norte-americano e europeu, reduzindo a exposição em mercados emergentes como o Brasil.

Impacto do petróleo no custo do dinheiro

O encarecimento do petróleo eleva custos de produção e transporte em todo o mundo, o que tende a manter a inflação acima da meta em várias regiões. Para conter a alta de preços, bancos centrais prolongam ciclos de juros elevados, situação que tradicionalmente desfavorece aplicações em renda variável e favorece investimentos de renda fixa.

Preferência global por tecnologia

Enquanto o Ibovespa concentra-se em commodities e bancos — setores da chamada “velha economia” — o capital estrangeiro tem priorizado bolsas com forte presença de empresas de tecnologia ligadas à inteligência artificial, especialmente nos Estados Unidos e na Coreia do Sul. Esse redirecionamento enfraquece ainda mais a demanda por ações brasileiras.

Peso limitado de fatores internos

Questões domésticas, como o debate sobre o risco fiscal ou ruídos políticos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, foram acompanhadas pelo mercado, mas analistas avaliam que tiveram influência reduzida na recente retirada de recursos. O movimento começou antes desses episódios e foi desencadeado majoritariamente por variáveis externas.

Perspectivas para o Ibovespa

Apesar da saída de capital em maio, o saldo estrangeiro na B3 permanece positivo no acumulado de 2026. Especialistas ainda veem chance de o Ibovespa atingir a marca simbólica de 200 mil pontos, sustentado pelo diferencial de juros doméstico, que segue elevado e atrai operações financeiras. O ritmo, contudo, dependerá da evolução da guerra no Oriente Médio e da trajetória da inflação global.

Até que haja maior clareza sobre esses fatores, a expectativa é de continuidade na volatilidade do mercado acionário brasileiro.

Com informações de Gazeta do Povo