A Administração-Geral de Alfândegas da China suspendeu, em 23 de maio de 2026, as exportações de carne de três frigoríficos brasileiros após identificar suspeitas de irregularidades sanitárias em cargas embarcadas para o país asiático.
O embargo atinge a unidade da JBS em Pontes e Lacerda (MT), a planta da PrimaFoods em Araguari (MG) e o frigorífico da Frialto em Matupá (MT). Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a medida é “temporária e preventiva” e tem como objetivo viabilizar a rastreabilidade da matéria-prima e a adoção dos ajustes técnicos necessários.
Em nota, a Abiec reforçou que o Brasil dispõe de “um dos sistemas de controle sanitário mais rigorosos do mundo”, sustentado pelo monitoramento permanente da cadeia produtiva e pela atuação do Serviço de Inspeção Federal (SIF). As cargas questionadas pelas autoridades chinesas, acrescentou a entidade, estão sendo tratadas conforme os protocolos firmados entre os dois países.
Hormônio sintético leva Frialto a reduzir produção
A Frialto foi a única empresa a comentar oficialmente a decisão de Pequim. De acordo com o frigorífico, fiscais chineses detectaram o hormônio sintético acetato de medroxiprogesterona em um lote enviado pela unidade de Matupá. A companhia informou ter reduzido em 40% a produção local e redirecionado parte do volume para mercados alternativos, como Estados Unidos, México, União Europeia, países árabes e outras nações asiáticas.
Paralelamente, a Frialto conduz uma investigação técnica para apurar a origem do problema e espera retomar os embarques antes do início do ciclo de produção destinado à cota chinesa de 2027. A empresa lembrou que o Brasil já se aproxima do limite da cota de 2026, o que por si só tende a desacelerar os envios no segundo semestre.
Contexto do mercado
A suspensão ocorre na mesma semana em que a China liberou outras três plantas brasileiras que estavam impedidas de exportar havia um ano: a JBS de Mozarlândia (GO), a Frisa de Nanuque (MG) e a Bon-Marte de Presidente Prudente (SP). Segundo o Ministério da Agricultura, mais de 100 frigoríficos brasileiros estão habilitados a vender carne ao mercado chinês, considerado estratégico para o agronegócio nacional.
Até o momento, JBS e PrimaFoods não se pronunciaram sobre a decisão chinesa, e o governo brasileiro também não divulgou posicionamento oficial.
Com informações de Gazeta do Povo