Acerra (Itália) – O papa Leão XIV desembarca neste sábado, 23 de maio de 2026, na cidade de Acerra, próxima a Nápoles, para consolar famílias atingidas pelo descarte ilegal de resíduos industriais operado por clãs da máfia Camorra.
A agenda pontifícia ocorre no coração da chamada “Terra dos Fogos” – área de aproximadamente 1.000 km² que ganhou o apelido devido às queimadas constantes de lixo. Durante décadas, milhões de toneladas de materiais perigosos oriundos do norte do país foram clandestinamente enterrados ou incinerados no local, contaminando solo e ar.
Objetivo da visita
Além de oferecer alento espiritual, o papa pretende dar visibilidade internacional ao drama ambiental e pressionar autoridades por ações de descontaminação. A viagem coincide com o aniversário da encíclica Laudato Si’, documento em que a Igreja defende o cuidado com a criação e critica modelos de desenvolvimento que prejudicam os mais pobres.
Lucro da máfia, custo para a saúde
Grupos ligados à Camorra controlam um esquema clandestino de gestão de resíduos. Eles cobram de fábricas para descartar o lixo, mas evitam os custos de tratamento adequado ao simplesmente enterrar substâncias tóxicas ou incendiá-las ao ar livre, obtendo lucro rápido e elevando os índices de câncer na região.
Impacto nos moradores
Pesquisas científicas detectam taxas de tumores e malformações congênitas superiores à média nacional. Diante do receio de diagnósticos tardios, paróquias e organizações voluntárias oferecem exames gratuitos e apoio psicológico às famílias.
Encontro com vítimas
Na catedral de Acerra, Leão XIV se reunirá com pais que perderam filhos para o câncer e com pessoas que enfrentam doenças atribuídas à poluição. Entre elas está Angelo Venturato, que criou uma associação de transporte gratuito para doentes após a morte da filha de 25 anos por um tumor raro.
A visita papal encerra-se com um apelo à responsabilidade ambiental e à proteção das comunidades vulneráveis atingidas pelo crime organizado.
Com informações de Gazeta do Povo