Um templo cristão de múltiplos andares conhecido como Igreja Yazhong (ou Yayang) foi totalmente demolido na cidade de Wenzhou, província de Zhejiang, leste da China. A ação, realizada por ordem do Partido Comunista Chinês (PCC), aprofunda a repressão a comunidades religiosas que operam sem registro oficial.
De acordo com a organização ChinaAid, a demolição ocorreu após líderes da igreja rejeitarem exigências governamentais, entre elas a instalação da bandeira nacional no prédio. Durante a operação, ocorrida neste mês, quatro integrantes da congregação foram detidos, entre eles You Cien. Moradores que tentaram divulgar informações sobre o caso relatam estar sob vigilância e interrogatórios policiais.
Antecedentes de pressão
O cerco do governo ao templo começou a se intensificar em junho do ano passado, quando funcionários públicos invadiram o local, derrubaram parte do muro externo e ergueram um mastro para a bandeira chinesa, provocando protestos da comunidade cristã.
Em dezembro de 2023, 103 membros da igreja foram presos e as autoridades assumiram o controle do edifício. Nas semanas que antecederam a demolição, a entrada no imóvel foi bloqueada por postos de controle, a cruz foi retirada do topo e toda a construção foi coberta por lonas pretas.
Reação de defensores da liberdade religiosa
O presidente da ChinaAid, Bob Fu, afirmou que “qualquer igreja que não queira se submeter ao poder estatal — mesmo sem participar de atividades políticas — o PCC sente que precisa silenciar e até destruir”.
Fu lembrou que Wenzhou é conhecida como “Jerusalém da China” por concentrar grande número de cristãos e lamentou: “Meus irmãos e irmãs na fé se mantiveram firmes por tanto tempo. Mais do que a perda de um prédio, lamento como o PCC oprime dia após dia esta região tão fiel”.
Ele acrescentou um apelo à comunidade internacional: “Nossas orações não foram reduzidas a escombros. Que essa perda desperte a Igreja global para o que está acontecendo na China, um grande conflito entre fiéis e o poder do Estado”.
A China ocupa o 17º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026, elaborada pela Missão Portas Abertas, que monitora violações à liberdade religiosa contra cristãos em todo o mundo.
Com informações de Folha Gospel