La Paz – O governo da Bolívia declarou a embaixadora da Colômbia, Elizabeth García, persona non grata e determinou que ela deixe o país, informou a Chancelaria boliviana nesta quarta-feira (20/05/2026). A medida foi motivada por declarações do presidente colombiano, Gustavo Petro, sobre os recentes protestos e confrontos registrados em território boliviano.
Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores boliviano afirmou que a decisão busca “preservar os princípios de soberania, não ingerência em assuntos internos e respeito mútuo entre Estados”. O comunicado ressalta que a expulsão não representa ruptura das relações diplomáticas com a Colômbia, nem compromete “os históricos vínculos de amizade, cooperação e respeito” entre os dois países.
Governo exige respeito à institucionalidade
O Itamaraty boliviano acrescentou que qualquer avaliação externa sobre a situação interna deve ocorrer “com responsabilidade, prudência diplomática e pleno respeito à institucionalidade democrática e constitucional vigente”. Segundo o órgão, as divergências políticas e sociais devem ser resolvidas “exclusivamente dentro do marco constitucional boliviano, mediante mecanismos democráticos, institucionais e pacíficos, sem interferências externas”.
Resposta de Petro
Ao ser informado da expulsão, Gustavo Petro declarou à rádio Caracol que a Bolívia “está passando por extremismos” e afirmou temer que isso leve o país a “uma situação muito difícil”. O presidente colombiano reiterou a necessidade de um “grande diálogo nacional” para evitar o que classificou como possível “massacre sobre a população boliviana”.
No domingo (17/05), Petro já havia dito que a Bolívia vive uma “insurreição popular” em reação à “soberba geopolítica”, referindo-se a protestos e bloqueios de estradas organizados por setores camponeses, pela Central Operária Boliviana (COB) e por grupos ligados ao ex-presidente Evo Morales. Os manifestantes pedem a renúncia do presidente boliviano Rodrigo Paz.
O chefe do Executivo colombiano colocou seu governo, que se encerra em 7 de agosto, à disposição para mediar uma saída pacífica e apelou para que “não haja presos políticos em nenhuma parte das Américas”, defendendo a construção de uma “democracia profunda e multicolorida” na região.
Protestos em La Paz
A capital boliviana registrou confrontos, distúrbios e saques no início da semana, em meio à escalada dos protestos. As manifestações intensificaram a tensão política no país e motivaram a reação de La Paz contra as declarações de Petro.
Com a decisão, Elizabeth García terá prazo definido pelas normas internacionais para se retirar do território boliviano. Até o momento, Bogotá não anunciou medidas recíprocas.
Com informações de Gazeta do Povo