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Dejetos suínos viram fertilizante: Embrapa prova que estruvita pode substituir adubos fosfatados importados

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Seropédica (RJ), 20/05/2026 – Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) confirmaram, em experimentos de campo, que a estruvita – mineral extraído de dejetos de suínos – é capaz de suprir até 50% da necessidade de fósforo em lavouras de soja e trigo, mantendo a produtividade média brasileira.

Resultados em lavouras de soja

Nos testes conduzidos em Santo Augusto (RS), a soja alcançou rendimento de 3,5 toneladas por hectare (t/ha) quando recebeu estruvita, desempenho muito próximo da média nacional de 3,56 t/ha obtida em 2025. Além de garantir o fornecimento parcial do nutriente, o fertilizante mostrou eficiência agronômica superior à de adubos fosfatados convencionais, graças à liberação lenta do fósforo.

Vantagem em solos tropicais

A reação alcalina da estruvita favorece a disponibilidade de fósforo em solos ácidos, comuns no Brasil e ricos em óxidos de ferro e alumínio, que imobilizam rapidamente o fósforo solúvel. O composto contém cerca de 12% de fósforo, 5% de nitrogênio e 10% de magnésio.

Redução da dependência externa

O Brasil importa aproximadamente 9 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados por ano e cobre 70% de sua demanda com produtos estrangeiros. A adoção da estruvita pode diminuir essa dependência em um cenário de oferta instável, agravado por restrições de exportação impostas pela China em 2026.

Processo que alia economia circular e renda ao produtor

A estruvita é obtida pela precipitação química de efluentes ricos em nitrogênio e fósforo gerados na suinocultura. O procedimento reduz a carga poluente, evita a contaminação de águas superficiais e subterrâneas e cria um fertilizante com valor comercial. A Embrapa calcula que granjas com mais de 5 mil animais podem gerar cerca de 340 mil toneladas de estruvita por ano.

Novo fertilizante organomineral

Para ampliar o aproveitamento do nutriente, os pesquisadores desenvolveram uma formulação que combina a estruvita a fontes solúveis de fósforo. Nos primeiros 28 dias de avaliação, essa mistura apresentou difusão 50% maior no solo em comparação com a estruvita granulada pura.

Colaboração e próximos passos

O estudo é liderado pela Embrapa Agrobiologia, em parceria com as unidades Embrapa Solos e Embrapa Suínos e Aves, além de universidades federais e institutos de pesquisa. O objetivo é adaptar a tecnologia às condições tropicais e oferecer aos produtores uma alternativa sustentável e economicamente viável para a adubação fosfatada.

Com informações de Gazeta do Povo