Caracas – Três agentes da extinta Polícia Metropolitana de Caracas, considerados os presos políticos havia mais tempo sob o chavismo, foram libertados na noite de terça-feira (19). A informação foi confirmada pela ONG Realidad Helicoide.
Héctor Rovaín, Erasmo Bolívar e Luis Molina passaram 23 anos e um mês detidos. Eles haviam sido condenados a 30 anos de prisão pela participação no tiroteio na Puente Llaguno, também chamado de Massacre de El Silencio, ocorrido em 11 de abril de 2002, quando confrontos durante uma marcha em direção ao Palácio de Miraflores deixaram 19 mortos.
Histórico do caso
Os três policiais entregaram-se às autoridades em 19 de abril de 2003 e, após julgamento questionado por organizações de direitos humanos, receberam a pena máxima prevista na legislação venezuelana. Entidades como o Foro Penal apontaram irregularidades processuais e classificaram os réus como presos políticos.
Libertações após mudança de comando
Depois da captura do ex-presidente Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos, em janeiro, o governo interino liderado por Delcy Rodríguez iniciou um processo de soltura de opositores detidos. Apesar das recentes liberações, a Realidad Helicoide calcula que ainda haja cerca de 500 presos políticos no país.
Condições de saúde
No período em que permaneceram encarcerados, os ex-policiais enfrentaram diversos problemas médicos. Segundo familiares e a ONG Foro Penal, Erasmo Bolívar, 50 anos, sofre de dores abdominais, descolamento de retina e dificuldades de mobilidade após cirurgia no joelho. Luis Molina, 57, foi hospitalizado em maio de 2025 devido a uma peritonite, o que o obrigou a suspender atividades de capacitação que realizava na prisão. Héctor Rovaín, também com 57 anos, apresenta quadro de saúde debilitado, de acordo com relatos da família.
Fim da corporação original
A Polícia Metropolitana de Caracas, onde os três atuavam, foi oficialmente extinta em abril de 2011, quando seu efetivo foi incorporado à Polícia Nacional Bolivariana (PNB).
Com a soltura de Rovaín, Bolívar e Molina, chega ao fim o período de detenção política mais longo registrado desde o início do chavismo, em 1999.
Com informações de Gazeta do Povo