Brasília — A confirmação da filiação do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa ao Democracia Cristã (DC), anunciada nesta sexta-feira (16) pelo presidente nacional da legenda, João Caldas, desencadeou uma crise interna e ameaçou a pré-candidatura de Aldo Rebelo à Presidência da República em 2026.
Dirigentes do partido informaram que Barbosa, 71 anos, passou a ser tratado como opção imediata para encabeçar a chapa ao Palácio do Planalto. Rebelo, lançado oficialmente pelo DC no início do ano, não teria conseguido ganhar projeção eleitoral nem espaço nas pesquisas mais recentes, segundo avaliação interna.
Aposta em visibilidade e pauta anticorrupção
A entrada do ex-ministro no DC é vista pela executiva nacional como forma de dar maior visibilidade à sigla e reforçar bandeiras ligadas ao combate à corrupção, ética pública e reformas institucionais — temas associados a Barbosa desde o julgamento do mensalão, do qual foi relator. O ex-magistrado presidiu o STF entre 2012 e 2014, tornando-se o primeiro negro a comandar a Corte, apoiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022 e chegou a ensaiar candidatura presidencial pelo PSB em 2018, desistindo meses antes da eleição.
Aliados de Rebelo reagem
A movimentação provocou reação imediata de aliados de Aldo Rebelo. O presidente do diretório paulista do DC, o ex-deputado Cândido Vaccarezza, classificou Barbosa como “inapoiável”, acusou-o de ter inaugurado o lawfare no Brasil durante o julgamento do mensalão e prometeu trabalhar contra a candidatura caso ela avance. “Não podemos entregar o Brasil para um personagem como esse”, afirmou.
João Caldas rebateu e disse que expulsará “sumariamente” quem se opuser ao ex-ministro. “Quem não estiver com Joaquim está fora do partido. O Joaquim é do Brasil; quem tem de julgar é o povo, nas urnas”, declarou o dirigente nacional.
Nota pública de Aldo Rebelo
No sábado (17), Aldo Rebelo divulgou nota informando que não aceita ser substituído e criticou a condução das negociações sem consulta à sua campanha. O ex-ministro afirmou ter “profundas divergências” políticas com Joaquim Barbosa, citando decisões do ex-presidente do STF na Ação Penal 470 e classificando sua postura como punitivista e de ativismo judicial, incompatível com o projeto que defende.
Com o impasse, o DC entra na reta final de definição de candidaturas ainda sem consenso sobre quem representará a legenda na disputa pelo Planalto em 2026.
Com informações de Gazeta do Povo