Home / Economia / Indústria patina em 1,4% e agro dispara 11,7%: custos e impostos travam setor fabril

Indústria patina em 1,4% e agro dispara 11,7%: custos e impostos travam setor fabril

ocrente 1778902516
Spread the love

Brasília – O desempenho da economia brasileira em 2025 escancarou a distância entre o campo e as fábricas. Enquanto a agropecuária avançou 11,7% e alcançou a maior fatia do Produto Interno Bruto (PIB) desde o início da série histórica, a indústria de transformação cresceu apenas 1,4%, segundo levantamento publicado em 15 de maio de 2026.

Custo Brasil drena R$ 1,7 trilhão por ano

Empresários e entidades de classe apontam o chamado “Custo Brasil” como principal freio ao setor industrial. O termo reúne gargalos logísticos, insegurança jurídica e burocracia excessiva que, juntos, retiram R$ 1,7 trilhão anuais das empresas, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O montante deixa de ser investido em modernização de máquinas, pesquisa ou geração de empregos.

Sistema tributário penaliza quem agrega valor

A carga de impostos também pesa mais sobre a indústria do que sobre outros segmentos. Representando cerca de 23% do PIB, o setor responde por mais de 35% da arrecadação federal. Para especialistas, o desequilíbrio resulta na “exportação de impostos” e na “importação de desemprego”, já que itens com maior valor agregado acabam sendo produzidos no exterior.

Armados com commodities, presos na renda média

Dados do Atlas da Complexidade Econômica, mantido pela Universidade Harvard, indicam que o Brasil está numa “armadilha de renda média”. Nos últimos 17 anos, o país adicionou apenas cinco produtos relevantes à sua pauta de exportações, permanecendo concentrado em bens de baixa sofisticação como grãos e minério de ferro.

Plano governamental mira R$ 300 bi até 2026

Para tentar reverter o quadro, o governo federal lançou o plano Nova Indústria Brasil, que prevê até R$ 300 bilhões em financiamentos até 2026. Especialistas, entretanto, avaliam que a iniciativa privilegia subsídios e crédito barato, repetindo políticas anteriores, sem atacar de forma estrutural os entraves fiscais e logísticos.

Sem a contribuição rural, o crescimento do PIB nacional teria sido de 1,5% em 2025, ante os 2,3% registrados. A disparidade reforça o status do país como exportador de commodities e evidencia a necessidade de reformas profundas para destravar a indústria.

Com informações de Gazeta do Povo