O governo argentino, chefiado pelo presidente Javier Milei, intensificou a vigilância no Atlântico Sul diante da presença de cerca de 200 embarcações chinesas que, todos os anos, operam nas proximidades da zona econômica exclusiva (ZEE) do país. A preocupação vai além da pesca ilegal: autoridades suspeitam que alguns navios estejam coletando informações de inteligência.
Marcelo Rozas Garay, que integrou o Ministério da Defesa, relatou à agência Reuters que foram identificadas antenas “incompatíveis” com atividades pesqueiras em parte da frota chinesa. “Achamos que o que eles buscavam, na realidade, era informação ou interceptar comunicações”, afirmou.
Outra suspeita recai sobre possíveis movimentos de mapeamento da plataforma continental argentina, área cujos recursos, pelas normas internacionais, cabem exclusivamente a Buenos Aires. Segundo Juan Battaleme, ex-secretário de Assuntos Internacionais da Defesa, episódios desse tipo já foram discutidos com autoridades dos Estados Unidos.
A frota chinesa cresceu quase 50% na última década, o que levou a Argentina a investir em novos sistemas de monitoramento. Washington, por sua vez, aprovou a venda de aeronaves de patrulha marítima P-3C Orion para reforçar o controle argentino contra a pesca predatória. Um porta-voz do Departamento de Defesa norte-americano classificou o país sul-americano como “liderança importante em segurança regional”.
Pequim nega qualquer atividade de espionagem. Em nota enviada à agência britânica, o Ministério das Relações Exteriores da China classificou as acusações como “pura especulação, sem base factual”, garantindo que a nação é “pesqueira responsável” e atua dentro do direito internacional.
A intensificação do patrulhamento acontece em meio ao alinhamento entre Milei e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que veem a expansão da frota chinesa de pesca de águas distantes como um possível instrumento de dupla finalidade.
Com informações de Gazeta do Povo