Bruxelas — A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, afirmou nesta segunda-feira (11) que a recente declaração do presidente russo Vladimir Putin, ao indicar que a “operação militar especial” na Ucrânia estaria “chegando ao fim”, revela um momento de fraqueza do Kremlin e pode abrir espaço para negociações de paz.
Kallas explicou, em coletiva de imprensa na capital belga, que ministros dos 27 países-membros analisaram o pronunciamento de Putin durante o fim de semana. Segundo ela, o tom adotado por Moscou representa mudança significativa em relação às declarações anteriores.
“O entendimento geral é que Putin está mais vulnerável do que nunca”, resumiu a diplomata. A avaliação europeia considera:
- perdas militares russas no campo de batalha;
- aumento dos ataques ucranianos em profundidade no território russo;
- crescimento do descontentamento popular dentro da Rússia;
- endurecimento do controle estatal sobre a internet, visto como sinal de preocupação do governo com o fluxo de informações.
Apesar da oportunidade percebida, Kallas ressaltou que “não há indícios de que Moscou esteja pronta para negociar de boa-fé”. De acordo com a dirigente, o Kremlin mantém exigências máximas que inviabilizam conversas realistas.
Pressão mantém-se sobre o Kremlin
Diante desse cenário, os ministros europeus discutem novas sanções econômicas com objetivo de reduzir receitas russas e, paralelamente, medidas para ampliar garantias de segurança à Ucrânia em caso de eventual cessar-fogo.
A UE também trabalha para fortalecer mecanismos de monitoramento que permitam verificar o cumprimento de uma trégua futura, informou Kallas.
O encontro ministerial ocorreu dois dias após Putin sugerir que a campanha militar russa se aproxima do encerramento, declaração que sacudiu chancelerias europeias e reavivou expectativas de um possível diálogo.
Com informações de Gazeta do Povo