Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta segunda-feira (11) a lei que institui 12 de março como o “Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19” e, durante a cerimônia, responsabilizou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelas mortes decorrentes da pandemia.
No Palácio do Planalto, Lula exibiu um dossiê intitulado “Gestão Bolsonaro e a pandemia de Covid-19”, que reúne declarações do antigo governo sobre a crise sanitária. Segundo o presidente, o material foi preparado pelo Ministério da Saúde e deve servir de ferramenta para a base petista. “É importante que cada militante tenha isso aqui na mão”, declarou, reforçando que o documento deve ser distribuído em todo o país.
Depois do evento, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a produção da cartilha foi feita “de forma independente”, sem uso da estrutura oficial da pasta.
Acusações contra Bolsonaro e ex-auxiliares
Lula disse que o governo anterior “levou o país a um sacrifício desnecessário de 700 mil pessoas” e voltou a defender que a Organização Mundial da Saúde acione Bolsonaro por “crime contra a humanidade”. O presidente também criticou a troca de quatro ministros da Saúde entre 2019 e 2022 — Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich, Eduardo Pazuello e Marcelo Queiroga —, afirmando que apenas o primeiro “parecia entender um pouquinho de saúde”.
Ao mencionar transmissões ao vivo feitas pelo ex-chefe do Executivo, Lula chamou o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) de “fujão” por, segundo ele, estar nos Estados Unidos “pregando um golpe contra o Brasil”.
Janja cobra punição e compara desinformação a caso Ypê
Antes do discurso presidencial, a primeira-dama Janja Silva relatou que perdeu a mãe para a Covid-19 e disse sentir “revolta” ao ver ex-integrantes do governo Bolsonaro “andando livremente” e até eleitos para novos cargos. Ela comparou a propagação de notícias falsas durante a pandemia à reação que seguiu a determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o recolhimento de lotes de produtos da marca Ypê.
“Até quando essa ignorância vai estar entre nós?”, questionou, citando casos de pessoas que chegaram a ingerir detergente em vídeos publicados nas redes sociais.
O evento no Planalto encerrou-se com um minuto de silêncio em homenagem às vítimas da Covid-19, seguido da entrega simbólica do dossiê a representantes de movimentos sociais ligados ao PT.
Com informações de Gazeta do Povo