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PT intensifica ataques a Flávio Bolsonaro e associa pré-campanha a cortes de benefícios

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Brasília – Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliaram nas últimas semanas as críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Palácio do Planalto em 2026. A ofensiva tenta vincular o eventual programa de governo do parlamentar a congelamento de benefícios previdenciários, arrocho fiscal e retirada de direitos sociais.

Influenciadores, sindicalistas e parlamentares governistas passaram a compartilhar em redes sociais menções a supostos debates internos da equipe de Flávio sobre cortes de gastos, revisão de vinculações constitucionais e contenção de reajustes do salário mínimo. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) figura entre os principais divulgadores das acusações, alegando que o presidenciável pretende “governar para banqueiros” e reduzir renda de aposentados e trabalhadores.

Senador rebate e fala em “fake news”

Flávio Bolsonaro respondeu por meio de vídeos no Instagram e no X. Ele negou qualquer intenção de congelar benefícios ou extinguir programas sociais, classificou as críticas como “terrorismo eleitoral” e acusou o PT de tentar assustar aposentados e famílias de baixa renda.

Segundo o senador, sua proposta busca conciliar responsabilidade fiscal com preservação das políticas sociais, por meio de corte de desperdícios, revisão de despesas públicas e estímulo ao empreendedorismo.

Estrategistas evitam revelar detalhes do plano

A reportagem apurou que o PL decidiu não divulgar, por enquanto, um programa de governo completo, concentrando esforços em atacar as políticas econômicas da gestão Lula. A direção da campanha avalia que a tática reduz a munição para críticas de adversários.

Déficit, dívida e juros em alta formam pano de fundo

O debate ocorre em meio à deterioração das contas públicas: a dívida federal se aproxima de R$ 10 trilhões, os gastos anuais com juros rondam R$ 1 trilhão e o déficit previdenciário continua aumentando, contribuindo para que o Brasil registre o segundo maior juro real do mundo.

Agenda econômica de Flávio

No lançamento da pré-candidatura, o senador defendeu um “tesouraço” que inclui corte de despesas, redução de impostos, privatizações e reforma administrativa. Entre as medidas citadas estão a venda dos Correios, revisão da reforma tributária aprovada pelo Congresso e incentivos a investimentos privados.

Para reduzir desconfianças no mercado financeiro, Flávio vem participando de reuniões com investidores e promete montar uma equipe alinhada à linha liberal adotada pelo ex-ministro Paulo Guedes, baseada em eficiência e responsabilidade fiscal.

Analistas veem disputa de narrativas

O cientista político Adriano Cerqueira, do Ibmec-BH, ressalta que propostas de ajuste fiscal costumam ser associadas a candidatos conservadores, enquanto a esquerda prioriza retórica social. Já Leandro Gabiati, diretor da consultoria Dominium, observa que o PT tenta reeditar o discurso de confronto entre ricos e pobres, enquanto apoiadores de Flávio vinculam o governo Lula a inflação, juros altos e aumento da máquina estatal.

Com o embate antecipado nas redes sociais, a campanha de 2026 entra no campo simbólico: de um lado, o PT adverte sobre possíveis cortes de direitos; de outro, o PL responsabiliza o atual governo pelo quadro fiscal e pelo custo do crédito.

Com informações de Gazeta do Povo